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✍Entrevista a Luiza Mór: Jovem Escritora Brasileira





O JEdLP esteve à conversa com a deslumbrante Luiza Mór. Uma jovem escritora brasileira a quem não só sobra simpatia, como também inteligência e talento. Uma rapariga que conquistou a internet com apenas cinco capítulos da sua obra 'Os Olhos do Corvo' publicados online através do site Nyah!Fanfictions; obra que conta agora com 356 comentários, diversas recomendações e milhares de visualizações e leitores! Uma escritora ainda por publicar que deveria de ser mantida debaixo de olho! 


Hoje, ela teve a gentileza de partilhar connosco numa conversa animada todos os seus sonhos e aspirações, bem como memórias. E ainda explicou a história da sua fantástica obra que, infelizmente para os leitores, só será transformada em livro dentro de alguns anos.



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☞ Boa noite, Luiza. Nós já nos conhecemos há um bom tempo, mas, como deve de imaginar, eu sou uma sortuda por entre muitos! Por essa razão, fale-nos um pouco de si enquanto escritora. Apresente-se aos leitores do JEdLP.

Boa noite, Raquel! É um prazer ser entrevistada por você! Bem, me chamo Luiza Mór, mas costumo escrever sob o pseudônimo de Holly Hobbie. Minha obra mais "conhecida" chama-se Os Olhos do Corvo e é postada no Nyah! Fanfiction. Creio que minha trajetória como escritora começou de uma forma um tanto incomum. Eu já criava histórias em minha cabeça desde bem nova, adorava interpretar personagens fantásticas como fadas, bruxas e, especialmente, sereias, mas só realmente pus no papel minhas ideias aos dez anos de idade, enquanto ajudava uma amiga com um dever do cursinho de inglês. Na tarefa, essa amiga deveria continuar um conto pré-estabelecido da melhor forma possível, mas não conseguia pensar em nada. Eu, então, criei uma continuação e a ditei, mas minhas ideias eram muitas e não cabiam no espaço designado. Minha amiga a resumiu e foi para a aula, me deixando sozinha em sua casa por pouco mais de uma hora. Nesse tempo, sentei-me ao computador e escrevi meu primeiro conto, seguindo a ideia dada pelo livro de inglês. Lembro até hoje, dei-lhe o título "Senhor Cornelius".





☞ A Luiza tem uma história deveras fantástica e arrebatadora. Como já deve de ter percebido, identifico-me bastante com ela. Talvez seja por isso que me tenha sentido tão fascinada ao ler os primeiros capítulos da sua obra Os Olhos do Corvo. Conte-me, o que é que a levou a aderir ao site Nyah!Fanfictions? A paixão pela escrita ou a necessidade de partilhar com o mundo as suas palavras e, talvez, conseguir um nome no mundo dos livros?


Muito, muito obrigada! Fico imensamente feliz que tenha gostado tanto, nem sei descrever o quanto isso me alegra! Eu comecei a postar no Nyah! aos doze anos, quando escrevia uma fanfic. Com o passar do tempo, minhas ideias para Os Olhos do Corvo foram amadurecendo e eu resolvi escrevê-las, mas como era algo diferente de tudo que eu já havia criado (infinitamente mais sério e sombrio, além de muito mais complexo), quis saber a opinião dos outros. Postei sem muitas esperanças de retorno, mas ele acabou vindo em massa, o que me deu muita vontade de continuar.





☞ Não tem nada que agradecer-me. Estou apenas a constatar factos. A Luiza escreve, realmente, muito bem. Entendo que tenha publicado a obra Os Olhos do Corvo para obter um feedback sobre a história, mas não considera isso perigoso? Algo demasiado ousado? A sua obra, vamos ser sinceras, não é apenas mais uma na fantasia. É uma história que veio para ficar. Não teme ser vítima de plágio?


Eu sinto que preciso agradecer sempre, pois sou realmente muito grata a todos os elogios. Logo, mais uma vez, muito obrigada!
Vou ser sincera, plágio é um dos meus maiores medos, ao lado de coisas muito sérias como perder meus pais, por exemplo (esse é o tanto que amo minha criação). Já sofri disso - cópias totais ou parciais do meu trabalho - três vezes, e cada uma me fez pensar em excluir a história. É uma experiência horrível pela qual eu não pretendo passar novamente. 
Contudo, eu tenho uma consideração enorme para com meus leitores, que se dedicam à obra quase tanto quanto eu e que inclusive me ajudaram a denunciar esses casos (e por vezes até trazem a mim casos de possíveis cópias), e nunca consigo tirá-la "do ar". 
Eu estou no processo de registrá-la na Biblioteca Nacional, para maior proteção, mas sim, o plágio ainda me preocupa muito.



É deveras lamentável que as pessoas cometam plágio. É o maior de todos os atentados à nossa língua. Um roubo imperdoável!
Voltando outra vez à sua escrita, fale-nos um pouco de Os Olhos do Corvo. O que é que os leitores podem esperar dessa obra para além de uma narrativa impecável e envolvente?

Os Olhos do Corvo, acima de tudo, é minha visão e crítica ao sistema patriarcal. Mesmo estando no início, já é possível perceber algumas simbologias e paralelos nos acontecimentos narrados, e pretendo mostrar a realidade de diferentes mulheres no decorrer da história: suas dificuldades, violências, mas, principalmente, sua (nossa) força. Entretanto, há mais que isso, afinal, é uma obra de fantasia. Os leitores podem esperar muitas cenas de ação (estamos falando de piratas, não?), intrigas - em especial as que envolvem família -, drama e, é claro, a participação de diversas criaturas fantásticas! Em suma, tudo que um livro de Alta Fantasia tem a oferecer, juntamente com uma crítica política entranhada no enredo!



☞ Há quem critique fortemente o uso de uma 'luta' em obras de ficção. Muitos leitores alegam que isso se trata apenas de uma estratégia de vendas. O que é que a Luiza acha? Concorda com esse pensamento? Ou acha que ele é apenas fruto do medo que muitos homens ainda têm da luta pela igualdade da mulher?

Para ser sincera, eu nunca havia ouvido falar nisso, e inclusive acho um argumento muito mal fundamentado (risos). Muitas pessoas ainda temem esse avanço do feminismo, então acredito que falar abertamente do fundo político da obra não me faria vender mais, e sim afastaria alguns leitores em potencial. Porém, eu sou uma mulher feminista escrevendo um livro, logo, meus ideais transpareceriam em meus escritos mesmo que eu tentasse escondê-los. A causa feminista faz parte do meu cotidiano, eu a acho de extrema importância e não seria capaz de usá-la como fonte de lucro ou como "chamariz". Minha ideia com Os Olhos do Corvo é tentar mudar a visão de alguns sobre essa causa, e se eu conseguir fazê-lo com uma pessoa sequer, me darei por satisfeita (apesar de fantasiar com frequência que mudarei o mundo [risos]). E, sim, acho que essa crítica pode vir de homens que temem o empoderamento das mulheres, infelizmente.




☞ Entendo. Infelizmente, esse tipo de acusação é mais comum do que imagina.
Diga-me, Luiza, como é que se imagina dentro de uns anos?

Você, como escritora, deve entender o que estou prestes a dizer: acredito que ainda estarei escrevendo meu livro. A criação de uma obra é algo complexo e eu sou uma perfeccionista (pelo que conheço de você, penso que também é assim). Não conseguirei enviar minha obra a nenhuma editora enquanto não estiver exatamente do jeitinho que planejo (risos).





☞ Conhece-me muito bem. Faço o mesmo. Uma obra demora anos a ser escrita. Mas referia-me mais após a publicação dela. Como acha que será a escritora Luiza Mór num futuro?


Após a publicação? Dar-lhe-ei a versão mais fantasiosa pois é mais bonita e tem mais a ver comigo (nós autores de fantasia e nossos devaneios)! Espero ter sido traduzida para além do português e ser - ao menos - razoavelmente renomada no gênero. Você sabe do preconceito com mulheres que escrevem textos fantásticos, espero que, juntamente a você e outras autoras, eu possa contribuir para mudar isso. Confesso que uma legião de fãs e uma adaptação para o cinema ou TV não cairia nada mal, mas estou tentando manter os pés no chão (risos).




☞ Como é que se descreveria enquanto escritora? E quais são as suas maiores fontes de inspiração?

Procrastinadora é uma boa descrição (risos)? Brincadeiras à parte, creio que sou a escritora auto crítica. Sempre releio o que escrevi e penso no que posso melhorar. Por diversas vezes isso me atrapalha, pois não tenho tanta confiança em meu trabalho quanto eu gostaria, mas estou trabalhando nisso. Também não planejo demais. Geralmente escrevo "o que der na telha" e depois edito o que não ficou bom. Minhas maiores inspirações na escrita são os autores clássicos Victor Hugo (Os Miseráveis, O Corcunda de Notre Dame) e Machado de Assis (Memórias Póstumas de Bras Cubas, Dom Casmurro). Já autores contemporâneos, amo Neil Gaiman e as loucas adaptações de contos de fadas do Gregory Maguire. Também adoro C. S Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia - que, diga-se de passagem, me influenciou muito quando criança, inclusive na criação de universos fantásticos.




☞ Agora, vou-lhe pedir que me fale da Luiza. Não da escritora, não da mulher, mas sim da menina. Quem foi a menina Luiza? Fale-me da sua infância. Abra o coração aos leitores do JEdLP e partilhe connosco algumas das suas alegrias e tristezas passadas. Algumas memórias e sonhos de infância. Revele aos leitores a pessoa que se esconde atrás das letras.

Bem, eu nasci e cresci na capital do meu estado, fui menina de "Cidade Grande", mas sempre dei meu jeitinho para arranjar brincadeiras em todo lugar. Era apaixonada pelo filme Peter Pan (olhe os piratas e as sereias aqui outra vez!) e sonhava com o dia em que ele viria me buscar e me levar para a Terra do Nunca. Todas as noites, escrevia cartas para ele e as deixava na janela. Ficava muito contente ao perceber que elas desapareciam pela manhã. Minha mãe até hoje nega que as pegava (risos). Outra de minhas paixões de infância era uma coleção de ursinhos em miniatura. Eu tinha muitos, o suficiente para montar uma cidadezinha. Eu passava o dia inteiro construindo tudo por toda a sala de estar, e quando terminava, à noite, já era hora de guardar tudo (risos). Essas são algumas de minhas melhores memórias dos tempos de criança.




☞ Muito obrigada por tudo, Luiza! Como sempre, foi um prazer falar consigo! Para além de talentosa, é também das pessoas mais amáveis e simpáticas com as quais tive o prazer de falar! Mais uma vez, muito obrigada e muito sucesso na sua carreira! Tenho a certeza de que será um dos maiores sucessos da literatura fantástica escrita em português!

Eu que agradeço seu interesse e por ser essa pessoa incrível! Muito obrigada por tudo e desejo a você todo o sucesso do mundo!



© 2016, Raquel C. Vicente e JEdLP

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