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✍Entrevista a Patrícia Rebelo: Escritora Portuguesa e Autora da Obra 'Um Dia Disseste que Eu Devia Escrever um Livro'



No dia 21 de Março pela noite, o JEdLP entrevistou uma escritora portuguesa com uma história de vida mais do que admirável e inspiradora. O seu nome é Patrícia Rebelo e o nome da sua história é 'Um Dia Disseste que Eu Devia Escrever um Livro'. 

E quem lhe disse para escrever esse livro? E o que a levou a escrevê-lo? Fiquem a conhecer essas respostas nesta nossa entrevista, onde conhecemos a mulher por detrás da escritora. Um ser humano fascinante que tem de conviver com algo que muitos de nós temem: a perda de memórias.


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☞ Boa noite, Patrícia! Para além de ser uma pessoa cativante, escreveu também uma obra fantástica! Por essa razão, peço que se apresente. E à obra também!


Boa noite, Raquel. Confesso que não sou a melhor pessoa para me apresentar, mas posso dizer que o meu nome é Patrícia Rebelo e que a escrita já faz parte de mim desde que me conheço. A minha primeira obra, foi fruto de muito sentimento e por isso é muito pessoal e foi vivida muito intensamente. Julgo que por isso é que a escrevi em apenas 1 mês.




 O título da obra é 'Um Dia Disseste que Eu Devia Escrever um Livro'. E a minha pergunta para a Patrícia, se é que podemos saber a resposta, é: quem lhe disse isso? Quem foi a pessoa que a levou a aventurar-se nas palavras e deu título à sua obra?



O Diogo. O Diogo foi o meu primeiro amor. Aquele que achamos que é para a vida e que apresentamos a todas as pessoas com o maior orgulho. Para mim, era o amor da minha vida, e numa altura em que ainda namorávamos (namoramos durante 5 anos), ele disse-me que um dia eu devia escrever um livro. Ironia da vida, escrevi mesmo, acerca desse grande amor.



☞ Quando nos conhecemos pela primeira vez, a Patrícia falou-me sobre um acontecimento delicado da sua vida: a perda de memória. Se se sentir à vontade para falar sobre isso, gostaria que explicasse o assunto aos leitores do JEdLP e que me explicasse se já conseguiu recuperar as memórias que tinha perdido ou não.

Durante algum tempo foi muito complicado falar disso. Agora tem-se tornado mais simples. Eu perdi a memória devido a uma negligencia medica, em que tive de levar adrenalina. Essa perda de memória, afectou obviamente a minha vida, uma vez que eu não me lembrava de já não namorar com o Diogo, não me lembrava de estar a namorar com outro rapaz, não me lembrava de ter mudado de curso nem me lembrava dos meus amigos. Foi um processo muito doloroso e o meu livro ajudou-me a ultrapassar a lacuna que existe na minha memória, em relação à parte amorosa, porque não... não recuperei nada.

Foi bem mais fácil, por muito doloroso que tenha sido, começar pela parte amorosa, pois já estou à vontade para falar acerca dessa parte da perda. Agora, se falarmos de mim , de como eu lido ou lidei, ainda não consigo falar, muito menos abertamente.

Eu não perdi apenas dois anos e tal, perdi uma parte da minha vida, perdi uma parte de mim, uma parte da minha identidade.




É angustiante saber-se de algo assim. Creio que os leitores pensarão o mesmo. Mas, simultaneamente, é admirável. Uma pessoa que se viu perdida, indefesa, fez disso a sua força e escreveu um livro. Imortalizou o seu nome recorrendo às palavras. Por essa razão, dou-lhe os meus parabéns. A Patrícia é realmente fantástica... 


☞ Diga-me, como é que se descreveria enquanto escritora?

Bem... obrigada pelas palavras. Confesso que fico sem jeito. Não sei... eu escrevo o que eu sinto naquele momento. Muitos escritores conseguem não escrever no momento e conseguem expressar o mesmo, horas depois. Eu não. Quando começo a escrever saí naquele momento ou não saí. Sou muito emotiva e isso é uma grande característica no meu livro. É emotivo, as pessoas conseguem sentir aquilo que eu estava a sentir. Se eu escrevesse horas depois ou no dia a seguir já não iria ter o mesmo impacto.



☞ Como é que tem sido o feedback dos leitores? Consideraria o seu livro um sucesso?

O feedback tem sido fantástico. As pessoas apaixonam-se pela história. A média de leitura tem sido 4 horas, acho que isso diz tudo. Mas um sucesso? Bem, foi um sucesso para mim tê-lo lançado. É um sucesso quando as pessoas me abordam a dizer que adoram o livro, mas sucesso sucesso, bem, quando ele vender milhares e for um best seller talvez ai sim seja um sucesso (risos).


☞ Os meus parabéns! É óptimo saber isso! Espero que consiga chegar a Best-Seller! 
Agora, permita-me que lhe pergunte algo. Uma coisa que me tenho esquecido de perguntar aos outros autores. Como tem sido a experiência com a editora Capital Books?

Tem sido boa. É uma experiência diferente, e eu acho que tem corrido bastante bem.



☞ Aconselha a Capital Books a outros autores?

Sim , claro que sim! Eles apostam em novos autores e têm em muita atenção e consideração cada obra que recebem. Desde do primeiro momento me senti acarinhada pela editora e sempre se mostraram atentos em querem que eu crescesse. Por isso, sim. Recomendo, sem dúvida!




☞ Mas que maravilha! Assim o JEdLP sente-se muito mais tranquilo e feliz por ter estabelecido parceria com a Capital Books!

Confesse-nos, Patrícia. Pensa em escrever uma outra obra?


Foi uma excelente parceria! 

Sim, claro que sim, a minha segunda obra sairá entre setembro e outubro deste ano, mas para já quero aproveitar o primeiro livro, desfrutá-lo ao máximo e só depois pensar no segundo. Mas sim, sem dúvida que mais virão!



☞ E não nos pode adiantar nada sobre esse segundo volume?

Será mais pessoal que o primeiro. Será uma homenagem.
Mais não posso adiantar.


☞ Diga-me, se pudesse mudar algo na sua história, mudaria? [história de vida]

Sinceramente, já pensei muito nisso. Durante muito tempo quis mudar... adormecia e queria apenas que isto tudo fosse um pesadelo e que acabasse. Hoje, já me tentei habituar às lacunas e já tentei entender as minhas decisões. Por isso... se mudasse, não seria quem sou nem chegaria até aqui... Não... se pudesse reescrever, seria igual. Tenho orgulho em quem sou, depois de tanto sofrimento.




☞ E acho que a Patrícia deve mesmo de ter! Cada golpe, ensinam-nos algo. E, pelo que está aos olhos de todos, a Patrícia aprendeu muito e tornou-se numa pessoa admirável.


Agora, fale-me um pouco da sua vida actualmente e dos seus sonhos. Está feliz? Sente-se realizada? Qual é o maior de todos os seus desejos? A coisa que mais almeja?


Obrigada. Tenho a sensação que já vivi mais vidas na minha própria vida.

Sim... sinto-me feliz. Sinto-me bem. Realizada? Isso não... Aquilo que mais desejo é ter a minha família ( sim, continua a ser uma romântica [risos]). Mas é isso mesmo que mais almejo. Ter a minha família. O meu namorado e mais tarde meu marido e mais tarde filhos! (risos)



☞ Ah! Mas não se ria por ser uma romântica! As românticas são as que têm os sonhos mais bonitos e, também, o coração mais meigo.
Enquanto leitora, qual foi o livro que mais a marcou?

Foram dois."Uma Burca por amor" e "Comboio para Budapeste".



☞ E filmes? Quais foram os que mais a marcaram?


Três. O "Rei Leão" ( porque todos nós somos crianças de algum modo e o filme ensina imenso) , "O Diabo Veste Prada" e "O Conde de Monte Cristo".



☞ Já lhe disseram que tem um excelente gosto?

(Risos) A sério? Por acaso não. Os meus amigos reclamam que escolho sempre filmes infantis. (risos)



☞ Todos nós levamos dentro uma criança. E isso nunca é mau. 
Para terminar, a Patrícia é capaz de falar aos leitores sobre a menina que foi?

Eu gosto de preservar o meu lado infantil. Há quem diga que levo a vida muito a sério, por isso é sempre bom ter um escape. 

A menina que fui? Fui sonhadora, risonha, extremamente feliz, a achar que o mundo era cor de rosa e que o amor incondicional é a arma mais poderosa. Fui a menina que achou que o amor iria ser algo realmente mágico e que sempre existiria uma solução. No fundo, não mudei muito... apenas percebi que o mundo não é cor de rosa e que o amor incondicional é algo bem raro.




 Patrícia.... muito obrigada por esta entrevista fantástica! É realmente uma pessoa digna de toda a admiração deste mundo! Espero que todos os seus sonhos se realizem e que seja muito feliz! E espero poder repetir isto mais tarde, com um novo livro!


Obrigado eu, Raquel. Estarei aqui para uma nova entrevista quando quiser!
E obrigado pelas suas palavras de admiração e carinho! 



© 2016, Raquel C. Vicente e JEdLP

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