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✍Entrevista à autora Ângela Gonçalves: 'A História da Menina que Não Tinha Sonhos'





Ângela Gonçalves nasceu em 1996 em Viana do Castelo e vive actualmente em Riga, na Letónia. É escritora e tem como sonho ser médica. Nos anos de 2012, 2013 e 2014 participou nas colectâneas Lugares e Palavras de Natal, Audaz Fantasia e Audácia dos Sentidos. No final do ano de 2015 publicou um Conto Infantil pela Chiado Editora, intitulado: A História da Menina que Não Tinha Sonhos. 

Hoje, o JEdLP traz a todos vós uma entrevista com essa magnífica autora!




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☞ Boa tarde, Ângela. É uma enorme honra poder entrevistá-la! Para começarmos — apesar de já a ter apresentado na introdução da entrevista — gostaria que falasse um pouco sobre si mesma aos nossos leitores. 


Boa tarde, Raquel. Apesar de já ser escritora, acho que ainda não aprendi a falar sobre mim mesma onde quer que seja. No entanto, posso dizer que sou uma menina completamente normal e simples que tem vários sonhos à espera de serem concretizados quer no seu pensamento como no papel.

Vivi a maior parte da minha, ainda curta vida, em Barcelos. Uma cidade que fez de mim grande parte daquilo que sou hoje e que, ainda hoje não foi esquecida apesar de tanta reviravolta na minha localização e que também ainda se orgulha de mim.

Não me posso queixar da pessoa em que me tornei. São muitos aqueles que se orgulham de mim e eu própria vejo que, aos poucos, estou a conseguir alcançar determinadas metas que tinha estipuladas no meu “plano de vida”.

É um ponto óbvio o facto de ser uma apaixonada pela escrita, sou enamorada pela vida e adoro poder ajudar.



☞ O que é que despertou em si a paixão pela escrita?

Desde pequenina que sempre me dei bem com a Língua Portuguesa e me orgulho muito dela. Ainda hoje digo que a minha Pátria é a Língua Portuguesa e tenho nela um sonho investido.

Ainda quando andava no primeiro ciclo, escrevi uma composição acerca do Natal que deixou a minha professora na altura (Prof. Teresa Coimbra) completamente de “queixo caído” e emocionada. Lembro-me perfeitamente de ela ter ido mostrar a composição a todas as professoras da escola. (Penso que ainda tenho isso guardado algures). 

No meu terceiro ciclo, surgiu então o gosto pela poesia, adorava Camões e comecei a escrever um poema aqui e outro ali. 

Já no secundário, decidi participar na coletânea de contos de Natal da Editora Lugar da Palavra e consegui ter um ligar entre os participantes. A partir daí foi “sempre a somar”. Participava em todos os concursos que descobria e me pareciam razoáveis e tive lugar em praticamente todos. 

No entanto, o bichinho de querer algo só meu não desaparecia e decidi aventurar-me em algo mais sério, que teve como fruto o meu Conto Infantil A História Da Menina que Não Tinha Sonhos.



☞ Na biografia da sua pessoa que consta no site da Chiado Editora, pode ler-se que tem como sonho, para além da escrita, ser médica. Qual é a principal razão que a leva a almejar essa carreira?

A regra número um da minha vida é: Nunca desistas dos teus sonhos.

Para além de gostar muito da escrita e ambicionar uma carreira nesse ramo, como muitos dizem, nunca deixei de ser uma menina responsável e sempre tive os pés bem em terra. Sei perfeitamente que viver da escrita, especialmente no nosso país, não é tarefa fácil e, como consequência, nunca pensei na escrita como sendo algo que pudesse ter sem um outro complemento.

Desde aquela idade em que se pergunta aos meninos o que é que querem ser quando forem grandes sempre disse que queria ser médica e a resposta foi sempre essa. Penso que o meu objetivo principal é poder ajudar as pessoas, especialmente se as puder ajudar a seguir os seus sonhos nem que seja com o exemplo da minha vida.

Lembro-me perfeitamente de quando ajudei um senhor invisual (por negligência médica) que estava perdido (o Sr. Luís), em Barcelos, para apanhar um autocarro e ficámos grandes amigos. Fruto dessa amizade surgiu o Conto de Natal de 2012 e uma ambição enorme para realmente conseguir ser uma boa médica.

A minha mãe sempre me disse que não existe “não sei”, “não quero” e “não consigo” e como tal, nunca vou desistir dos meus sonhos!



☞ Como pretende conciliar os estudos de medicina com a paixão pelas letras?

Não existe vida bem sucedida com o mínimo de esforço e dedicação. Portanto, é mesmo assim que pretendo conciliar a medicina com a minha paixão pela escrita. É verdade que nem sempre há tempo para ambos, mas quando realmente se quer alguma coisa, fazemos os possíveis e os impossíveis para que tal aconteça.

Não há teste de anatomia que se faça sem que um desabafo da alma me acalme.



☞ Considera que quando se formar como médica continuará a ter tempo disponível para a escrita?

Não pretendo nunca desistir daquilo que me faz feliz. Há por aí muito médico escritor. Se eles conseguem porque é que eu não hei-de conseguir?



☞ A Ângela participou nas colectâneas Lugares e Palavras de Natal, Audaz Fantasia e Audácia dos Sentidos. O que é que nos pode contar sobre essa sua experiência e como é que a descreveria?

A participação nestas coletâneas resultou de concursos nos quais participei para me desafiar a mim mesma, dentro de estilos e temas que não eram bem “a minha praia”. É sempre bom estarmos preparados para tudo e também é sempre um orgulho e uma honra ser a mais pequenina no meio dos grandes.

Estas coletâneas fizeram-me crescer, não só ao nível da minha escrita, como também eu própria fiquei mais madura e com uma perceção diferente da realidade, cada vez mais com os pés em terra e cada vez mais com vontade de continuar a investir nos meus sonhos



☞ O seu livro A História da Menina que Não Tinha Sonhos é um Conto Infantil que, pelo que se pode perceber, tem como personagem principal a Sol. Uma menina — tal como indica o título da obra — incapaz de sonhar. Fale-nos um pouco sobre esta sua história.

A minha obra, em parte, reflete esta garra e dedicação que tenho pelo sonho e pela preocupação em poder ajudar os outros a poderem sonhar. Não diria que me identifico a 100% com a Sol, mas é um facto que parte de mim se encontra refletida nela.

Penso que a história traz um sentido de ambição para os mais pequenos nunca desistirem do seu futuro apesar de todo o nosso mundo estar a desabar.

Realço também o conhecimento científico, já que implementei informação sobre os cometas, as estrelas e também uma visão do corpo humano (numa tentativa de despertar o interesse) para que a história, para além de ter uma moral, possa também ensinar algo, de uma forma mais divertida e descontraída, aos mais pequenos.



☞ O que é que a levou a escrevê-la? Considera que teve influências de algo ou alguém, ou foi apenas fruto de um desejo, ou sonho, que surgiu inesperadamente? 

Apesar de ter apenas 20 anos, tenho duas sobrinhas. A minha sobrinha mais velha foi uma grande impulsionadora para a publicação deste livro, visto que foi ela que me pediu que lhe contasse uma história nova antes de adormecer. Eu lá lhe escrevi a história, e ela adora!



☞ Porquê um Conto Infantil? Há alguma razão em especial?

O Conto Infantil surge, não só porque a minha sobrinha me pediu uma história, mas também porque achei que fosse mais fácil lançar-me devagarinho. O que, como um grande amigo meu (Emanuel Lomelino) me diz, revela uma grande maturidade a nível de escrita, pois apesar de saber escrever coisas mais complexas, sabendo para o público para o qual me estou a dirigir e tendo inteligência na seleção desse público as coisas surgem mais facilmente.



☞ A História da Menina que Não Tinha Sonhos terá continuação? Haverá um segundo volume ou ficará por aqui?

Não diria já que não há possibilidade de sair um volume dois. No entanto, tenho mais em mente uma versão para adultos (que já se encontra em curso) ou até uma versão adaptada para o teatro



☞ De todos os géneros literários, qual é o seu favorito? Pelo que pude ver no seu blog, escreve poesia. É esse o seu género preferido ou há outro?

Sim, o meu blog não mente. A Poesia é, de facto, o meu género literário preferido já que me dá tanta liberdade de expressão. No entanto, mais recentemente descobri que também me sinto muito à vontade na prosa (texto argumentativo, crónica e crítica).



☞ De todos os escritores, qual foi aquele que mais a inspirou a aventurar-se no mundo das letras?

Fernando Pessoa e seus heterónimos são e sempre serão a minha fonte de inspiração e deleite. Adoro interpretar os seus poemas e identifico-me bastante com eles. Por vezes já fui comparada ao rico senhor, sabendo eu que muito dificilmente chegarei aos pés dele.



☞ Esta sua obra foi publicada através da Chiado Editora. O que nos pode contar sobre a sua experiência? Considera que foi positiva?

A minha experiência foi bastante positiva. Primeiro, é um orgulho poder publicar na mesma editora que publica Fernando Pessoa e Saramago e depois porque o livro ficou exatamente como eu queria. Fui bastante persistente e nunca me disseram que não podia ser tal e qual como eu queria.



☞ Recomenda a Chiado Editora a outros jovens escritores?

Recomendo a Chiado Editora a jovens que sabem exatamente aquilo que querem e que não têm medo de se desenrascarem sozinhos. Pois esta editora dá bastante liberdade ao autor no que diz respeito ao design da obra e apresentações da mesma



☞ Agora, deixando as letras de lado, fale-me um pouco da Ângela. Não da escritora, nem da futura médica, nem da mulher. Mas sim da menina. Quem foi a menina Ângela? Quais foram os seus sonhos e quais são as suas memórias mais queridas? Partilhe connosco um pouco do seu passado, da sua infância.

Para além da Ângela escritora e da Ângela futura médica não há muito mais a declarar, visto que, desde pequenina sempre tive estes objetivos.

Pode dizer-se que fui e ainda sou uma menina muito calma e ao mesmo tempo divertida que faz de tudo para não desperdiçar um momento livre para a brincadeira, que sempre gostou e gosta realmente dos seus amigos e que esteve, está e estará sempre disposta a ajudar quando possível e necessário.



☞ Muito obrigada por ter aceitado dar-nos esta entrevista, Ângela! Foi uma honra e um imenso prazer! Espero poder repetir no futuro com uma nova obra da sua autoria! Desejo-lhe todo o sucesso do mundo e espero que todos os seus sonhos se cumpram! 

Obrigada eu! Espero realmente poder voltar a entrar em contacto convosco para outra possível entrevista! 

E vou fazer por isso!


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