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✍Entrevista a Sara Nobre: Autora da Obra 'Uma Coisa Com Forma de Assim'



Hoje o JEdLP traz a todos os leitores uma entrevista com a maravilhosa Sara Nobre, autora da obra Uma Coisa Com Forma de Assim. 

A escritora, para além de nos ter falado do seu livro, partilhou connosco pedaços do seu passado, informações sobre a sua próxima obra e ainda nos concedeu um testemunho sobre o distúrbio de personalidade Borderline!


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☞ Boa tarde, Sara. Agradeço-lhe imensamente por ter aceitado dar esta entrevista ao JEdLP para falar um pouco sobre si e sobre a sua mais recente obra: Uma Coisa Com Forma de Assim. Para começarmos, gostaria de lhe pedir que se apresentasse a todos os nossos leitores.

Eu é que agradeço o convite, é uma honra para mim dar esta entrevista. 

De forma simples e concisa: o meu nome é Sara Nobre, tenho 24 anos e sou de Coimbra. Lancei a minha primeira obra “Uma Coisa Com Forma de Assim” no dia 12 de Março através da Chiado Editora. Sou estudante de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e termino este ano a minha Licenciatura.



☞ Uma Coisa Com Forma de Assim é uma «compilação de vários desabafos» seus, tal como indica a sinopse. Conte-nos, que tipos de desabafos podem os leitores esperar? Fale-nos um pouco sobre a história deste seu livro.

Este livro não surgiu, foi surgindo. Por isso a história deste livro acompanha a minha própria história. Todos os desabafos presentes nesta obra passaram por mim, de uma forma mais ou menos directa, mas passaram por mim. Existem alguns textos que são mais profundos e sombrios, existem textos de amor, de ódio, de dor, de vazio. Este livro tem de tudo um pouco. 
No fundo, este livro é de reflexão, considero que obriga o ser humano a pensar no outro, a questionar e a prestar atenção a detalhes que normalmente passam despercebidos. 



☞ O que é que a levou — ou inspirou — a escrever esta obra? Quais foram as suas grandes motivações e qual é o seu principal objectivo a alcançar com ela?

Esta obra surgiu comigo, é um diário da minha vida. Não sei se fui eu quem escreveu a obra, ou se foi a obra que me escreveu a mim. 

A escrita foi desde sempre a minha companhia, a minha melhor amiga, o meu consolo e porto seguro. Sou filha única e nunca tive grande facilidade em fazer (ou manter) amizades, por isso utilizei a escrita como uma melhor amiga, uma ferramenta que me ajudava a passar os dias mais difíceis. Sempre tive o sonho de um dia lançar um livro, não o sonhava de forma comercial, mas sim de forma individual. Dizem que o Homem para ser Homem precisa de cumprir três coisas na vida: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Já cumpri dois dos requisitos, por isso só me falta ser mãe.

O meu principal objectivo com este livro é conseguir chegar ao coração das pessoas que se sentem sozinhas. Esta obra tem algumas páginas em branco, para que os leitores possam fazer parte de algo que para mim foi sempre uma terapia. 



☞ Pensa em escrever uma continuação? Um segundo volume? 

Não considero que seja uma continuação, embora siga o mesmo método dos textos curtos. Tenho já um segundo livro encaminhado, um pouco mais denso e com uma abordagem a assuntos diferentes. Espero que o segundo livro seja tão bem recebido pelos leitores como esta primeira obra.



☞ Como é que tem sido a reacção das pessoas que já tiveram o prazer de ler a sua obra? Considera que está a ser — ou poderá vir a ser — um sucesso?

As pessoas que leram a obra têm tido uma reacção fantástica. Tem sido muito bom todo o feedback que tenho recebido. Aliás, uma leitora chegou a enviar-me uma carta e uma bonequinha que ela própria faz, para me congratular pelo livro.

Não considero que seja um sucesso ou que algum dia o seja, até porque nunca escrevi este livro com o objectivo de fazer imenso sucesso com ele ou de ter fama pela obra. Este livro é para mim uma realização de um sonho, e o facto de as pessoas adquirirem o livro deixa-me feliz porque sei que existe alguém a ler o que eu senti e o que eu escrevi. O sucesso é relativo: saber que alguém gostou do meu livro e que se identificou com ele é sem dúvida o maior sucesso que poderei ter.



☞ O que é que a levou a escolher a Chiado Editora para publicar Uma Coisa Com Forma de Assim? 

Procurei várias editoras e analisei o trabalho de cada uma, concluí que a Chiado Editora era a mais segura e enquadrava-se no tipo de escrita que eu iria apresentar. Além disso cativou-me desde o início pelo simples facto de ter como logótipo Fernando Pessoa. Desde o 12º ano que devoro os livros de Fernando Pessoa, além de ser um grande Homem é também um escritor fantástico. Aliás, o Livro do Desassossego é o meu livro de cabeceira à muitos anos. 

Ter a minha obra publicada pela Chiado Editora e ter direito a Fernando Pessoa na capa do meu livro é sem dúvida alguma um privilégio. 



☞ Como descreveria esta sua experiência com a Chiado Editora? Considera-a positiva? Estaria disposta a repetir com uma outra e nova obra?

A experiência foi fantástica, fui sempre muito bem orientada. Como foi a minha primeira obra tive imensas perguntas, que poderiam até parecer um pouco ingénuas, mas a Chiado Editora respondeu-me sempre a todas as minhas questões, fez-me sentir segura e confiante no decorrer da produção do livro. Foram fantásticos desde o primeiro dia. 

No dia do lançamento, no Café Santa Cruz (Coimbra), eu estava extremamente nervosa e a Editora destacou Adriana Passarinho para me acompanhar na sessão, foi uma bênção ter a meu lado uma pessoa tão calma e optimista. 

A minha primeira opção em qualquer obra que lance será sempre a Chiado Editora, sei que estarei segura e que a minha obra será tratada com carinho e respeito.



☞ Aconselharia a Chiado Editora a outros escritores? 

Sem sombra de dúvida! Aconselho a Chiado Editora a todos os escritores e a todas as pessoas que têm o sonho de lançar uma obra. A Chiado Editora torna os sonhos possíveis!



☞ Se a Sara tivesse de se descrever a si própria num livro, como o faria?

Essa pergunta é muito complicada. Provavelmente esse livro teria apenas duas folhas. Na primeira folha estaria a palavra: “Incompleta”, e na segunda “Fim”.



☞ Li a sua biografia disponibilizada pelo site da Chiado Editora e lá é referido que a Sara sofre de distúrbio de personalidade Borderline. O JEdLP conhece bem o assunto, no nosso site encontra-se inclusivamente um artigo na área de psicologia sobre Borderline, e é por isso que entendemos que possa ser difícil falar sobre ele. No entanto, atrever-me-ei a pedir-lhe que partilhe connosco a sua experiência como ‘vítima’ desse distúrbio. Que nos conte como ele condicionou (se condicionou) a sua vida e se, por acaso, influencia os seus temas e histórias ao escrever. Porém, faço questão de assegurar que não há problema algum se não se sentir à vontade para responder e que entenderei perfeitamente caso não o faça.

Não tenho qualquer problema em responder a esta questão. Provavelmente há dois anos atrás seria incapaz de me assumir como Borderline, mas aprendi que esconder o distúrbio não me ajuda, e assumir que o tenho pode ajudar outras pessoas.

Fui diagnosticada com Borderline aos 18 anos, porque este diagnóstico só pode ser feito na idade adulta, no entanto frequentava consultas de Psicologia e de Psiquiatria desde os 14 anos de idade.

No início foi complicado quando me disseram: “Tens Borderline”, não foi como se me dissessem “Tens gripe e vai passar”. Eu sabia que tinha Borderline e que não ia passar, nunca. A medicação começou a ser uma constante nos meus dias, mas por vezes não chegava. 

O Borderline influenciou e influencia ainda a minha vida, no entanto considero que influencia mais os que me rodeiam do que a mim. Não é fácil sentir mudanças de humor constantes a cada 15 minutos do dia, mas é muito mais difícil alguém que partilha o dia-a-dia comigo entender porque é que eu estava tão bem disposta e de um momento para o outro não quero sequer ouvir a voz da pessoa.

No entanto aproveito esta questão para levantar um bocadinho o véu do meu próximo livro: se querem entender o que é ser Borderline, comprem o meu próximo livro.



☞ De todos os géneros literários, qual é o que mais aprecia ler e escrever? E do vasto mundo dos escritores, quem é o seu favorito?

Gosto muito de romances, embora não me sinta confortável a escreve-los. Na verdade gosto de ler tudo aquilo que me parece sentido e com o qual me consigo identificar. 

Essa pergunta é complicada, mas diria Fernando Pessoa e Miguel Esteves Cardoso. 



☞ Para terminarmos esta entrevista, vou pedir que me fale da Sara. Não da Sara Nobre, a escritora, nem da Sara Nobre, a mulher. Mas sim da Sara, a menina. Parti-lhe connosco um pouco do seu passado, da sua infância, das suas memórias. Peço que partilhe um pouco mais de si com os leitores do JEdLP.

A Sara, a menina, viveu em Vilarinho (Lousã) durante 12 anos. Fui uma criança muito feliz na companhia dos meus avós e dos meus pais. Brincava com os meus vizinhos, subia às árvores, brincava na rua e esfolava os joelhos.

Nunca fui uma criança que pedisse muito aos meus pais, sempre tive o essencial para viver e crescer bem, não precisava de roupa de marca nem de jogos de computador, gostava da natureza e de brincar “lá fora”. Sempre fui teimosa, quando queria algo não desistia. 

A minha mãe costuma lembrar-me de uma história que aconteceu quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, estava um temporal desgraçado e eu achei que podia perfeitamente continuar a brincar na rua, a minha mãe chamou-me cerca de 3 ou 4 vezes, até que disse: “Queres ficar aí, fica! Não te volto a chamar. Agora ficas na rua de castigo.” Pensou certamente que aquela espécie de ameaça de castigo me faria repensar e ir para casa, mas passou mais de meia hora e eu continuava na chuva a brincar, só fui para casa quando quis e não por imposição.

Não tenho amigos de infância e não estabeleci ligações fortes em nenhuma fase da minha vida, na Faculdade nunca fiz um único amigo ao contrário do que se apregoa por aí “amigos da faculdade são para sempre”. 

Sou uma pessoa de pessoas, gosto de pessoas que me façam bem e que me compreendam, embora não seja fácil lidar comigo devido ao Borderline, poucas pessoas toleram as constantes mudanças de humor inexplicáveis. Mas aquelas que toleram: ficam para sempre.

Fui uma menina feliz. Aliás:

Sou uma menina feliz.



☞ Muito obrigada por nos ter concedido esta entrevista, Sara! Foi um enorme prazer! Desejo-lhe a maior das sortes e muito sucesso na sua carreira literária! Em nome de toda a equipa do JEdLP, muito obrigada. 

Muito obrigada por esta oportunidade fantástica, desejo-vos tudo de bom!

2 comentários:

  1. " O Livro do Desassossego é o meu livro de cabeceira HÁ muitos anos.!"

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  2. " O Livro do Desassossego é o meu livro de cabeceira HÁ muitos anos.!"

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