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✍Crítica Social por Fábio Pinto: Rede Social de Ontem, Rede Social de Hoje!




Sinto-me perdido e de há uns anos para cá a sensação não mudou, manteve-se. Sinto-me perdido e inserido num mundo do qual não pertenço, perdido no meio de uma sociedade da qual não pertenço, e sei, tenho a certeza, e essa certeza é a única que trago comigo, mesmo caminhando sobre este chão de dúvidas constantes, com medo de pisar o erro; erro que outros como eu pisam.

Paro para pensar e mesmo assim torna-se difícil tentar perceber, por mais que me esforce para entender não consigo encontrar respostas possíveis às minhas questões, às dúvidas que encontro sobre o chão que piso.

Onde estão, os princípios básicos da educação de há uns anos para trás? 

Arrumados em casa na mesinha de cabeceira? 

E por lá ficam durante o dia, durante a semana, meses e anos? 

Porquê? 

Porque a preguiça é demasiada, para se poder usar as palavras, "bom dia, boa tarde, boa noite, se faz favor, desculpa"? 

Cruzamo-nos nas ruas, porque temos de nos cruzar diariamente?

É isso? 

Passamos uns pelos outros, como robôs, sem uma única palavra, um único gesto de simpatia?

Porquê? 

Porque as tecnologias foram "fortes o suficiente" para nos prender, para nos formatar, e não vemos nada à nossa frente a não ser o nosso telemóvel, computador ou tablet? 

Como é possível o mundo e a sociedade nele inserida em tão pouco tempo ter mudado tanto? 

Ainda me pergunto e continuarei a perguntar, porque eu mesmo sou exemplo disso, deixei-me levar e fui também formatado pelas tecnologias e insisto na pergunta.

O porquê de irmos na rua colados ao telemóvel, ligados à página do Facebook como se a nossa vida dependesse dessa página?

Onde está aquela rede social, a melhor de todas, aquela em que eu mesmo participei e fui muito feliz, onde está a rede social carnal, não a virtual, a carnal, onde toda a gente se cumprimentava na rua, onde os miúdos brincavam uns com os outros até anoitecer nos dias em que não havia escola. Onde está? 

Hoje, não existe, sei e sinto que não existe, porque eu mesmo já não faço parte dela. Tentei batalhar para não me perder, mas perdi a batalha e acabei mesmo por me perder, e também eu, hoje em dia, estou inserido nesse mundo, nessa sociedade formatada e ligada às novas tecnologias, onde o mais importante é postar a melhor foto, sem nos preocuparmos com o resto; onde hoje em dia o mais importante é obter o máximo número de likes no status, ou na foto de capa, onde os amigos são todos virtuais, onde a maior parte das pessoas perde saúde para as novas tecnologias. 

Eu não queria, mas não consegui evitar, e lá acabei por cair. Também eu sucumbi às novas tecnologias e sei, tenho a certeza, que mais cedo ou mais tarde, a rede social, aquela carnal onde se convivia diariamente, aquela que chamei de rua, irá desaparecer de vez... porque a rede social virtual está a tomar e tomará o seu lugar por inteiro.



© 2016, Fábio Pinto e JEdLP

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