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✍Entrevista a Cátia Cardoso: Autora da Obra 'Poesia Silenciosa' e 'Linhas Delicadas'



O JEdLP traz-vos hoje uma entrevista com Cátia Cardoso, autora das obras 'Poesia Silenciosa' e 'Linhas Delicadas'.

Nesta nossa entrevista, a escritora e estudante de Comunicação Social falou-nos um pouco da sua paixão pelo teatro e pelas letras, bem como da sua obra mais recente 'Linhas Delicadas'. E ainda nos revelou aquilo que a levou a escrever poesia, o género com o qual se estreou no mercado literário! 

Um verdadeiro talento lusófono em ascensão que vale a pena conhecer!


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Boa tarde, Cátia. Antes de mais, obrigada por ter aceitado o convite do JEdLP para esta entrevista! Para começarmos, peço que se apresente aos nossos leitores.

Boa tarde, Raquel. O meu nome é Cátia Cardoso e nasci a 26 de Julho de 1997. Atualmente, estou a estudar Comunicação Social, em Coimbra. A minha paixão pela escrita foi surgindo gradualmente desde que aprendi a ler e escrever. Em 2014, publiquei o meu primeiro livro - Poesia Silenciosa - e agora em 2016 publiquei Linhas Delicadas. Além de escrever, sou apaixonada por teatro.



Conte-me, o que é que a levou a escrever poesia? O que é que a fez escolher esse género para começar a sua carreira como autora?

Poesia foi algo que sempre gostei de escrever, no entanto, não era meu objetivo começar pela poesia. Fui, ao longo de vários anos, escrevendo poemas diversos sobre diferentes temáticas. Sempre achei que publicar um livro era algo muito difícil de conseguir, no entanto, quando o fizesse, gostaria que fosse em prosa. No entanto, acabei por ter conhecimento de um concurso poético e decidi enviar alguns poemas para apreciação, apenas. Queria saber o que achavam daquilo que escrevia, pois nunca tinha tido uma opinião. A editora em questão gostou dos poemas e enviou-me uma proposta de edição que eu acabei por aceitar.




Entendo. Explique-me, a sua paixão pelo teatro influencia de alguma forma a sua escrita?


Sim e não. O teatro é a minha paixão de sempre, desde que me lembro de mim que me lembro de gostar de representar. A paixão pela escrita surgiu mais tarde e, como referi, de forma mais gradual. Influencia a minha escrita, no sentido em que escrevo, por vezes, sobre esta minha paixão, como é parte de mim acaba por se refletir naquilo que escrevo. No entanto, são duas paixões distintas. Já pensei que a escrita era uma forma de representar por escrito, neste momento, refuto essa ideia.



É difícil conciliar a escrita, o teatro e os estudos? Considera que uma coisa impossibilita ou enfraquece a outra?

Neste momento, não estou em nenhum projeto ligado ao teatro, tenciono fazê-lo no próximo ano letivo. Este ano, como é o meu 1ºano de licenciatura, quis analisar como era a vida académica e o tempo que tinha livre. No entanto, durante o meu secundário, tinha os três na minha vida e não era, de todo, difícil de conciliar, pelo contrário. Normalmente, escrevo apenas quando estou inspirada e a última peça de teatro que apresentei foi coescrita por mim. Em relação aos estudos, nunca fui de estudar muito, mas esforço-me por garantir bons resultados na mesma, estando atenta a tudo à minha volta...



Diga-me, o que podem os leitores esperar nesta sua nova e, certamente, magnífica obra 'Linhas Delicadas'? Fale-nos um pouco sobre a história.

Linhas Delicadas é um livro narrado pela Bianca, que é uma personagem da história. Bianca vê-se confrontada com o desaparecimento da sua irmã Benedita e com a possível responsabilidade do amor da sua vida neste desaparecimento e toma decisões das quais se poderá arrepender. O drama está presente na maior parte dos capítulos, também existe algum mistério. Aquilo que digo aos leitores é que estejam atentos, pois uma só palavra pode fazer revelações importantes para compreenderem a história.



A Cátia teve alguma influência, ou alguma experiência na sua vida, que a incentivasse ou inspirasse a escrever esta obra? O que eu pergunto é se existe algo de real na história da Bianca.

Não. Nada! A história é 100% ficcional, tudo fruto da minha imaginação. Portanto, qualquer semelhança com a realidade é, literalmente, pura coincidência.



'Linhas Delicadas' vai ser publicada pela Capital Books, certo? Como descreveria a experiência com esta editora?

Sim. Depois de fazer várias pesquisas e ter trocado impressões com outros autores, cheguei à conclusão de que a Capital Books era a editora ideal para este meu livro. A experiência tem sido positiva, a editora não tem colocado obstáculos às minhas exigências e tem aturado alguns pequenos caprichos meus, (porque, para ser sincera, eu até que sou chatinha!), e estou bastante satisfeita com o trabalho deles, até agora.




Enquanto escritora, como é que se descreveria?


Não ouso apelidar-me de escritora. Sinto que a palavra é demasiado pesada e ainda não me sinto capaz de a suportar. Vejo-me apenas como uma jovem que gosta de escrever, que aprecia a literatura e, nesse campo, os meus escritos são muito diversificados, a começar pelo facto de ter publicado poesia e agora publicar prosa. Posso, contudo, dizer, que gosto de deixar algo marcante na minha escrita, gosto de passar mensagens, de levar as pessoas a refletirem sobre determinados assuntos.



Quais são as suas principais inspirações na hora de escrever? E  quais foram os escritores que a inspiraram?

Tento sempre ser eu mesma. Não procuro imitar ninguém, nem tentar ser como ninguém. Tenho escritores que admiro como Saramago, Eça de Queiroz, Pedro Rodrigues, entre muitos outros!, mas não pretendo ser como nenhum deles. Não vejo nenhum deles como um exemplo para eu seguir, mas gostava de, um dia, eu ser um exemplo que outros gostassem de seguir, confesso.



Não me referia a imitações, mas sim a inspirações. Escritores que com as suas obras a tivessem incentivado a escrever.

Procuro as minhas próprias inspirações, não posso dizer que li determinado livro e isso me fez escrever porque isso nunca aconteceu. No máximo, tive situações do dia-a-dia que me inspiraram.




Desviando um pouco as atenções da escrita, gostaria que me contasse o que a levou a estudar Comunicação Social. Quais são os seus planos para o futuro, tendo em conta os estudos nessa área?


"Comunicação Social" era a resposta que eu dava sempre que me perguntavam o que queria seguir. Sempre me vi ligada a tudo o que se relaciona com comunicação, sinto que cada pessoa nasce com uma missão e que a minha é comunicar, seja na escrita ou no teatro que também são formas de comunicar. Futuramente, gostava de trabalhar em cinema, é um sonho que ainda se está a construir. No entanto, pretendo manter o teatro e a escrita presentes. Pretendo fazer carreira que englobe tudo aquilo de que gosto.




Já pensou em escrever alguma peça de teatro?


Como disse, a última em que participei foi coescrita por mim. Fora disso, já escrevi pequenos sketches para determinadas atividades. É uma forma diferente de escrever, mas gosto. Talvez, um dia, escreva algo de maior dimensão, quem sabe.



Agora, para terminarmos a entrevista, peço-lhe que me fale da Cátia. Não da escritora, não da mulher, mas sim da menina. Quem foi a pequena Cátia? Quais foram os seus maiores sonhos? As suas alegrias?

Não considero que tenha tido uma infância privilegiada, a não ser no facto de ter vivido em Arouca, uma terra repleta de tesouros naturais. Tive uma infância normal, sou filha única, porém, contra alguns estereótipos, nunca tive sempre tudo aquilo que queria, também nunca fui de pedir muitas coisas aos meus pais, pois tinha sempre medo de receber um não e não sabia como lidar com o não. Fui, durante sete anos, a única criança da família o que me dava acesso a todas as atenções, em alguns aspetos - apenas alguns - sinto que fui demasiado mimada, enquanto filha única fui, e ainda sou, sobre protegida, especialmente pela minha mãe. Tenho boas memórias da minha infância e, claro, o melhor era a inocência, a visão utópica que tínhamos da vida e do mundo. Porém, hoje, repugno as histórias encantadas que se contam às crianças e onde tudo é perfeito, porque não é, e ninguém tem o direito de iludir as crianças dessa forma, isso é o que menos gosto da minha infância. Apesar de tudo e ao contrário de muita gente, não gostava de voltar atrás.



Muito obrigada por tudo, Cátia! Adorei entrevistá-la! Espero poder repetir a entrevista no futuro, com novas obras da sua autoria e muitos e grandes projectos! Obrigada! Foi um prazer!

Muito obrigada, Raquel. Foi um gosto conversar consigo.




© 2016, Raquel C. Vicente e JEdLP

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