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✍Entrevista a José Carlos Pereira Rodrigues: Economista, Blogger e autor da obra 'H2J - Humano Honesto Justo'





Hoje o JEdLP traz a todos os seus leitores uma entrevista com o economista e autor Ribatejano, José Carlos Pereira Rodrigues.

O autor nasceu no ano de 1971, em Almeirim, distrito de Santarém (Portugal), e em 1993 licenciou-se em Economia pela Universidade Nova de Lisboa. É casado e tem dois filhos; e diz ser um economista que acredita na «natureza humana» e ainda que procura na história e na estatística «os alicerces para compreender a realidade e formular as suas soluções». 

Um escritor bastante interessante e cativante que vale a pena conhecer!


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☞ Boa tarde, caro José. Antes de mais, quero-lhe agradecer por ter aceitado dar esta entrevista ao JEdLP e dizer-lhe que é uma honra tê-lo connosco. Para começarmos, gostaria de lhe pedir que se apresentasse aos leitores do nosso site.

Em primeiro lugar, quero dizer que é uma honra para mim ser distinguido com esta entrevista. Sou uma pessoa simples, igual a tantas outras, que adora a família e que se realiza no trabalho. Sou um apaixonado pela macroeconomia, pela história e pelas pessoas. Acredito profundamente que cada ser humano tem algo de único que precisa de ter a oportunidade de se manifestar em todo o seu esplendor e que, através dessa criação, todos ficaremos enriquecidos.



☞ H2J – Humano Honesto Justo, é um ensaio com 242 páginas da sua autoria. Na sinopse, pode-se ler «Ao longo das páginas deste livro é feito um convite à reflexão individual e ao aprofundar de conhecimentos relativos a alguns eventos históricos que nos ajudam a compreender como chegamos à realidade política, económica e social em que nos encontramos.». Conte-me, o que é que o levou a criar esta obra? E de que maneira podem, ou irão, os eventos históricos nos ajudar a compreender a realidade actual? 

A resposta a esta pergunta é a própria apresentação do livro. Principalmente, desde o início da Revolução Industrial, a humanidade conheceu o desenvolvimento económico alicerçado na premissa de que a Procura de bens e serviços era superior à Oferta de bens e serviços. E assim acontecia de facto. Porém, hoje vivemos uma realidade completamente diferente. Desde finais do século XX que a economia passou a viver numa realidade de excesso de Oferta e esta situação ainda não se tinha verificado ao longo da história. A Oferta de bens e serviços supera a dimensão do mercado que lhes está dirigida. Nesta realidade, a economia não pode ser encarada nem gerida do mesmo modo que nos conduziu até aqui. As circunstâncias mudaram e as pessoas pretendem continuar a actuar como faziam há quarenta anos atrás. Por exemplo, as políticas de austeridade fazem sentido num determinado enquadramento económico mas, neste momento, são completamente disparatadas. Apenas analisando racionalmente a evolução histórica podemos compreender aquilo que se alterou e onde estamos a cometer erros.



☞ Na sua opinião, quais foram os momentos mais marcantes da História da humanidade que influenciaram desmesuradamente as sociedades actuais, e a política e economia?

Penso que o momento mais marcante, aquele que me parece influenciar desmesuradamente as sociedades actuais, a política e a economia, foi a constituição do banco de Inglaterra, em 1694, pelo escocês William Paterson. O facto de se ter concedido o controlo da oferta de moeda à iniciativa privada veio moldar todo o desenvolvimento da história mundial até aos nossos dias. Em Inglaterra, o banco apenas foi nacionalizado em 1946. Ainda hoje, por incrível que possa parecer, o banco central americano é um banco privado. Podemos perceber as inúmeras formas como esta realidade condiciona o nosso quotidiano.



☞ Lê-se na sua biografia que o José é um «economista que acredita na natureza humana». Gostaria que explicasse aos nossos leitores esta afirmação, esta realidade sobre a sua pessoa, e como ela influenciou o livro H2J – Humano Honesto Justo.

A bondade nos seres humanos acaba sempre por se revelar. Todos somos pessoas boas no nosso íntimo. Apesar das diferenças culturais que existem de povo para povo, considero que é sempre muito mais aquilo que nos aproxima do que aquilo que nos separa. Os muçulmanos fazem o “ramadão” durante um mês, deixando de comer ao longo do dia e alimentando-se apenas à noite para que os ricos possam sentir durante um mês aquilo que os pobres sentem todo o ano. A maioria das vezes, a ausência de tolerância entre os povos deve-se sobretudo à falta de humildade para procurarmos conhecermo-nos melhor.



☞ Que tipo de lições espera transmitir aos leitores com a sua obra? Ou que tipo de pensamentos pretende despertar nas suas mentes?

Pretendo sobretudo que os leitores possam sentir que o seu tempo foi bem empregue. Que possam sentir que aprenderam algo e se sintam satisfeitos consigo mesmos pela aquisição de uma perspectiva mais abrangente sobre estes temas. Cumulativamente, gostava que acreditassem que a mudança não é só desejável, também é possível.



☞ Qual foi a principal teoria ou pensamento que pretendeu transmitir com o seu livro?

Temo que a actual evolução da economia global possa conduzir a uma terceira guerra mundial. Em 1789, a França fez a sua revolução interna e viveu de seguida vinte e seis anos de guerra, não tendo sido capaz de se organizar devidamente. Pretendo sobretudo que as pessoas possam perceber que a solução pacífica é a melhor opção, muito à semelhança do que fez a Islândia, já em pleno século XXI. Quanto a mim, a ideia principal do livro é que é preciso agir, mas fazê-lo de forma tranquila, inteligente, cuidada, sem precipitações, mas com firmeza.



☞ Acredita que H2J – Humano Honesto Justo, pode mudar a forma de pensar de muitos ou, pelo menos, expandir os pensamentos de alguns? 

Gostava muito de pensar que sim. Penso que é um livro que proporciona sempre algo de novo ao leitor. Procurei que o leitor saia enriquecido, com um maior conhecimento sobre história e sobre economia. Procuro que o livro fomente a reflexão pessoal sobre as razões que levam o leitor a adoptar uma determinada perspectiva económica e política. Mais do que mudar a forma de pensar do leitor, pretendo motivar a compreensão e aceitação de perspectivas diferentes da dominante no leitor e sim, expandir os seus pensamentos sobre os temas da economia e da política.



☞ O José possui um blogue: All Positive Mode. Nele afirma, em inglês, que o All Positive Mode acredita que «grandes empresas honram a natureza humana». E ainda diz que com ele pretende auxiliar empresas e organizações a alcançarem os seus propósitos com um «toque humano». É essa a sua filosofia? Humanizar uma indústria que muitas vezes é mais do que desumana? Ensinar, ou ajudar, outros a respeitarem as diferenças culturais e raciais, e a aprender a usá-las para proveito da própria empresa? Ou seja, fazer a indústria entender que ao compreender e respeitar diferentes culturas e povos, ao acabar com a discriminação, ao dar o devido valor aos trabalhadores, se pode tirar grande proveito e aumentar os níveis de criatividade e sucesso? Se estas minhas perguntas forem totalmente descabidas, peço que me perdoe e que me explique: qual é a sua filosofia?

Excelente pergunta. Em 1993, Geert Hofstede, um dos mais reconhecidos investigadores nos meios académicos relativamente às diferenças culturais entre países, publicou um artigo explicando que não existem teorias de gestão universais uma vez que as diferenças culturais entre os povos determinam formas diferentes de organização do trabalho e dos relacionamentos profissionais. Mas, na minha perspectiva, a necessidade de aproveitamento da criatividade individual em benefício do colectivo é algo comum a todas as teorias de gestão, independentemente da cultura em que estão sediadas. Num projecto de pesquisa sobre a liderança na gestão à escala global concluiu-se que é universalmente valorizado pelos subordinados que os líderes de uma equipa de gestão sejam honestos, motivadores e dinâmicos. Penso sobretudo que cada empresa tem um grande interesse em aproveitar o potencial de criatividade dos seus funcionários, embora sejam ainda muito poucas as empresas que o sabem aproveitar com um mínimo de eficácia. A criatividade, tal como a liderança, tem um valor enorme para qualquer teoria de gestão, independentemente da cultura onde se insere.



☞ No seu blogue vi que para além do livro publicado através da Chiado Editora, o José também possui um e-book cujo título é Sempre em Modo Positivo. De que trata essa história? O que podem os leitores encontrar nesse seu outro livro? Qual a razão que o levou a escrevê-lo? 

“Sempre em modo positivo” é um livro técnico de gestão que visa sobretudo dar ao leitor uma perspectiva global sobre a gestão. Permite de forma prática, através de três tabelas práticas, identificar quais as áreas da empresa que carecem de atenção imediata, sem que o gestor tenha de esperar pelos resultados operacionais para o perceber. Cumulativamente, introduz o conceito de “simplificação focalizada” que visa sobretudo aproveitar de forma eficiente a criatividade individual dos trabalhadores de uma empresa.



☞ Enquanto economista, como é que descreveria a sociedade portuguesa actual? Se pudesse, o que é que mudaria e o que é que implementaria nela? Considera que a influência da União Europeia sobre o nosso país é positiva ou negativa? 

A sociedade portuguesa actual é muito semelhante às restantes sociedades das economias mais desenvolvidas. Temos bons e maus gestores, temos boas e más empresas, temos maus políticos, temos más políticas e pouco diálogo construtivo entre as pessoas que detêm cargos de responsabilidade. Por outro lado, nunca a economia portuguesa exportou tanto como agora. A meu ver, tal estará intimamente ligado com a melhoria da qualidade dos gestores que as empresas têm hoje comparativamente com o que acontecia há vinte anos atrás. Empresas como a Sugal ou a Renova são exemplos de como a iniciativa privada em Portugal tem muito mérito. O desenvolvimento económico só pode acontecer quando é possível colocar os produtos excedentários de uma determinada zona geográfica, numa outra zona onde estes são deficitários. É a dimensão dos mercados que condiciona o grau de especialização que é possível atingir. Neste sentido, quanto maior o mercado disponível, melhor para todos os agentes económicos. O problema é que ao mesmo tempo que a União Europeia expande o mercado disponível para as nossas empresas, exerce também uma influência política inaceitável. Obriga ao cumprimento de um conjunto de regras que penalizam as economias de menor dimensão e não salvaguarda a autonomia política dos seus governos. Coloca-nos hoje numa situação que não é só de dependência, é também de subserviência. E isso nunca pode ser bom.



☞ Diz na sua biografia que possui uma vasta experiência profissional no sector da banca e dos seguros. Fale-nos um pouco sobre a sua carreira. Sobre a sua vida profissional.

Comecei a minha vida profissional no antigo Banco Nacional Ultramarino, exercendo funções como Gestor de Conta. Fruto dos muitos contactos pessoais que desenvolvia acabei por ser convidado pela antiga seguradora Mundial Confiança, a qual foi posteriormente adquirida pela Fidelidade. Acabei por ser gerente de agência na Fidelidade, em Águeda e na Figueira da Foz. Em 2010, passei para os quadros da Allianz Portugal onde exerci funções até Agosto de 2015. De momento, estou a fazer uma pausa na minha carreira profissional. Estou focado em concluir o Mestrado em Negócios Internacionais e pretendo retomar brevemente a actividade profissional no domínio da consultoria económica.



☞ Dentro de uns anos onde é que gostaria de estar? O que é que gostaria de ter alcançado?

Gostava muito de “mudar o mundo”. É uma expressão com a qual brinco frequentemente e que acredito ser possível concretizar. Dentro de alguns anos, gostaria de poder observar a nova realidade e sentir que dei o meu contributo para que ela pudesse ter acontecido. Gosto de sentir que dou o meu contributo diariamente para melhorar o mundo de alguém.



☞ Pretende escrever uma continuação para H2J – Humano Honesto Justo ou uma outra obra na mesma linha de pensamento?

Este ano irei escrever outro livro. Não será uma continuação de “H2J-Humano Honesto Justo”. Será a explicação detalhada de como uma pequena mudança na condução das economias modernas tem um impacto tremendo na rentabilidade empresarial. Existe ainda um longo trabalho estatístico por concluir. No entanto, a estrutura dessa obra já está totalmente delineada. É uma abordagem exclusivamente económica e totalmente afastada de qualquer tipo de consideração política.



☞ O que é que espera conseguir com a sua carreira literária? Tem algum sonho em especial relacionado com o mundo da escrita?

Para mim, o mundo da escrita é apenas um veículo para me auxiliar na missão de “mudar o mundo”. Permite-me partilhar um pouco das minhas ideias e do meu pouco conhecimento sobre a história e sobre a economia e, nessa perspectiva, é muito importante.



☞ H2J – Humano Honesto Justo foi publicado através da Chiado Editora. Conte-nos como foi a sua experiência com eles. 

Das três editoras para onde enviei o original de “H2J – Humano Honesto Justo”, a Chiado Editora foi a primeira editora a responder. Chegámos posteriormente a acordo sobre o contrato a efectuar e temos mantido desde então um relacionamento comercial normal. Penso que a acção da editora tem sido importante na divulgação do livro.



☞ Aconselharia a Chiado Editora a outros escritores? Repetiria a experiência?

Apesar da minha curta experiência literária se resumir à Chiado Editora posso referir que estou satisfeito com o apoio e motivação com que a editora me tem brindado. 



☞ Para terminarmos esta entrevista, vou-lhe pedir que me fale do José. Não do economista, não do homem, não do escritor, não do blogger, nem do pai. Peço-lhe que me fale do José menino. Que nos diga quem foi em criança. Que partilhe com os nossos leitores algumas das suas memórias.

Quando fui para a primeira classe queria muito aprender. O meu avô era a pessoa que me ia levar e buscar à escola. Acontecia frequentemente pedir à professora para ficar comigo no fim das aulas. Lembro-me perfeitamente de o ver espreitar à porta da sala de aula, à minha procura e farto de esperar que saísse da sala. Quando chegou o primeiro período de férias, as férias do Natal, desatei a chorar ao perceber que as aulas iam parar. Eu queria continuar a ir à escola! Mais tarde, talvez por influência do meu pai e à semelhança de muitas crianças, eu também queria ser jogador de futebol. A melhor memória que guardo desses tempos foi quando, no final da época, toda a equipa votou em mim para eleger o jogador mais regular de toda a época. Tinha 14 anos, e recordar que todos os meus colegas consideraram que eu tinha sido aquele que tinha jogado melhor ao longo de toda a época, deixa-me ainda hoje com um elevado sentimento de orgulho.



☞ Muito obrigada por nos ter concedido esta entrevista, José! Foi uma honra para nós tê-lo connosco! Desejo-lhe toda a sorte e felicidade deste mundo em nome da equipa do JEdLP! Espero poder repetir esta entrevista num futuro próximo com uma nova obra de sua autoria! Mais uma vez, muito obrigada!




© 2016, Raquel C. Vicente e JEdLP

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