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✍Entrevista a Sofia Alves Cardoso: Autora da Obra 'Não Confies'





Hoje o JEdLP traz a todos os seus leitores uma entrevista a Sofia Alves Cardoso, uma jovem escritora de 21 anos, residente em Lodares, no concelho de Lousada, licenciada em criminologia e autora do thriller Não Confies. 

À conversa connosco, Sofia Alves Cardoso falou-nos um pouco do seu passado, da sua carreira literária e partilhou alguns detalhes sobre a sua vida e futuras obras! Uma escritora magnífica, uma pessoa absolutamente cativante. 

Leiam a nossa entrevista e fiquem a conhecê-la!




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☞ Boa noite, Sofia. Antes de mais, agradeço-lhe profundamente por ter concedido ao JEdLP esta entrevista. É uma honra tê-la connosco! Para começarmos, gostaria de lhe pedir que se apresentasse aos nossos leitores! Que lhes contasse quem é a Sofia Alves Cardoso!

Boa noite! Muito obrigada pelo convite e é uma honra ser uma das entrevistadas!

Como já sabem chamo-me Sofia Alves Cardoso, tenho 21 anos e sou de Lousada. Licenciei-me há um ano na área da Criminologia e, neste momento, não estou a exercer na área. Tenho por paixão a música, o cinema e, estranho seria se não mencionasse, a escrita. Sou uma pessoa bastante teimosa, irónica, que adora ler e escrever. Tenho como hobbies prediletos o desporto, ver séries, filmes e a fotografia.



☞ Tal como se pode ler na sua biografia, começou a escrever com 13 anos. Ou seja, a sua paixão pela escrita despertou nessa altura. A questão que lhe coloco é: O que fez despertar em si o amor pelas letras?

Penso que estar na fase da adolescência e achar que os adultos eram tudo menos confiáveis me fez experimentar o que seria “desabafar” através das palavras. A verdade é que resultou e dar “a minha voz” a personagens mostrou-me o fascínio que é ser livre de criar algo e alguém fruto da minha imaginação mas, que no fundo, faz parte de mim e das minhas vivências.



☞ A Sofia publicou a sua primeira obra com 18 anos, pela Corpos Editora. É um thriller e o seu título é Não Confies. Quais foram os motivos que a levaram a escrever neste género e quem, ou o que, a inspirou a escrever esta obra? 

Bem, eu A-D-O-R-O thrillers. Aquela angústia de ter-se quase a certeza que vai acontecer uma coisa mas, simultaneamente, não saber se vai acontecer é fantástica e faz-me delirar! Por isso é que eu adoro escrever neste género porque pode-se fazer o leitor pensar uma coisa e, no final, não ser nada disso. Costumo dizer que sou uma mentirosa para os meus leitores e que o faço propositadamente. 

Do que mais me inspirou para escrever neste registo foram os filmes pelos quais tenho apreço e ainda algumas leituras que fui fazendo. Na verdade, acho que tentei conjugar tudo aquilo que eu mais gosto no mundo do cinema e da literatura. Claro que também me inspirei em pessoas que fazem parte do meu mundo e outras que não conhecia de lado nenhum, mas que me cativavam a atenção. Gosto bastante de incluir nas minhas obras pedaços daquilo que me capta a atenção por dar um cunho mais realístico à minha descrição.



☞ A sua história desenvolve-se a partir dos assassinatos de dois homens: Dimitri Aronosfky e Alexander Bardem. 

Nina, a protagonista da sua obra, começa a ter suspeitas em relação ao próprio pai (Lee) e aos segredos que este mantém, e com a ajuda de um recém-chegado, Dean, começa a investigar. 

Tal como indica a sinopse, ela acaba por fazer descobertas espantosas que põem em risco aqueles que ela ama. 

Fale-nos um pouco sobre esta sua obra que já incentiva todo e qualquer leitor com o título de Não Confies! Explique aos leitores aquilo que os espera. E diga-nos como surgiu a protagonista desta história, a Nina.


Desta obra pode-se esperar o inesperado e pode-se ir concluindo que se calhar o que se está a pensar no decorrer da leitura pode não ser realmente o enredo e contexto da história. Com isto quero dizer que muitas vezes eu levo o leitor a pensar uma coisa que acaba por não o ser e fico tremendamente feliz quando o faço com sucesso! Podem ainda esperar personagens com grande densidade, segredos constantes e um clima tenso e com suspense. Mas claro que também podem esperar um cheirinho a romance. Que é uma coisa que não costumo escrever muito mas achei bastante pertinente incluir neste livro!

Costumo dizer que quem me conhece acaba por conhecer a Nina porque, apesar das nossas histórias de vida serem totalmente diferentes, ela é um pouco o meu reflexo. Tenho a mania de fazer isso precisamente por saber que assim posso falar de uma coisa que eu própria sinto. Já me disseram que é um pouco narcísico da minha parte incluir grande parte da minha personalidade numa protagonista, mas não se trata de vangloriar-me: trata-se de conseguir dinamizar melhor a personagem. 



☞ Pensa em escrever uma continuação para este seu Thriller? Talvez uma saga? Ou tem alguma outra obra — completamente diferente — em mente?

Não vejo grande pertinência para a continuação de “Não Confies”. É um livro que já vem dividido em partes específicas de determinadas personagens. Posso desvendar que o meu livro tem três “vozes”, daí a sempre ter achado que seria mais do mesmo se fizesse uma continuação.

Sim, tenho algo em mente. Não sei se é de todo completamente diferente. Talvez tenha uma densidade psicológica e emocional mais carregada e talvez seja uma obra mais “madura”, mas, neste momento, só o tempo dirá se a acho realmente “digna” de voltar a editar um livro.



☞ Diz na sua biografia que a música é uma das suas muitas paixões e que já escreveu letras para uma banda. E também é referido que ajudou na elaboração do guião de uma curta-metragem e que escreveu com alguns autores brasileiros. 

Para que banda escreveu e qual é a música? E a sua experiência a ajudar na elaboração do guião e a escrever com autores brasileiros, como foi? 

Conte-nos tudo.

Escrevia para uma banda de uma amiga minha que tenho muita pena de ter terminado, mas foi, sem dúvida, uma grande aventura e uma adrenalina enorme ouvir as minhas letras serem cantadas. Ando há algum tempo a tentar escrever uma, ainda que para um projeto pequeno e pessoal, por isso não posso desvendar muito! 

Ambas as experiências foram fantásticas! Para além de ter conhecido novas formas de escrita conheci pessoas absolutamente fantásticas que ainda hoje mantenho contacto. Escrevíamos histórias em conjunto e era engraçado perceber como o vocabulário era diferente! Gostava de voltar a reencontrá-los… Quem sabe um dia não os reencontro!



☞ Quando escreve, o que pretende transmitir ao leitor?

Gosto de dar algum espaço ao leitor para imaginar o que se está a passar, mas gosto que o leitor sinta o que eu sinto e perceba o porquê de o sentir. Gosto ainda que se identifiquem com uma personagem ou com alguns traços delas. Por isso, se lerem algum livro meu, é muito provável que eu vos pergunte se se identificaram com alguém e porquê! Manias, portanto!



☞ Ao escrever, possui algum género favorito (para além de Thriller)?

Eu não me guio muito por escrever um género de livro. Claro que tendo para o mundo do thriller, mas tento fazer algo que eu própria goste de ler. Nas minhas histórias tento sempre englobar drama, mistério e uma dose de romance para apimentar e derreter os corações.



☞ Enquanto escritora, qual é o seu principal objectivo? O que é que gostaria de alcançar com as letras?

Não pretendo fama. O que gosto neste mundo é estar sossegada no meu dia-a-dia e alguém vir ter comigo para falar do que escrevo. Não precisa de ser pessoalmente nem especificamente do livro. Apenas gosto que se manifestem e que se interessem. E com isso fico absurdamente feliz!



☞ A Sofia estuda Criminologia. De que forma influenciam os estudos a sua arte? Considera que Criminologia a ajudou de alguma forma na sua escrita? 

Ajuda-me a dar uma dimensão mais realística ao que escrevo, até porque falo muito de assuntos da sociedade, gosto especialmente de temas ainda tabus e problemáticos no mundo atual e como falei de alguns é-me um benefício conseguir dar-lhe uma conotação mais científica. Não gosto muito de fazer uma coisa sem ter conhecimento dela, por isso quase tudo o que aprendi aproveito para as minhas histórias. Talvez seja uma “falha” no “Não Confies” não ter uma fonte devidamente segura quanto aos crimes que lá acontecem, mas agora que já concluí os meus estudos e percebo minimamente do que falo acho que consigo fazer uma história muito mais coerente!



☞ Não Confies foi publicado pela Corpos Editora. Como descreveria esta sua experiência com eles? Considera-a positiva? Estaria disposta a repetir com uma outra obra?

A minha experiência nem foi positiva nem negativa, para ser sincera. Como editores louvo-lhes a atenção e paciência com o design da capa que, para mim, ficou absolutamente fantástico. Quanto ao resto acho que falta um pouco de dinamismo, ainda que saiba que o próprio escritor é que tem de trabalhar arduamente na sua obra e divulga-la. No entanto, considero que se ajudassem um pouco mais na divulgação (por exemplo, através da criação de uma página no facebook onde publicassem trechos dos livros, entrevistas e outros conteúdos referentes aos seus escritores) seria uma mais-valia quer para a editora, quer para nós. Mas não tenho qualquer razão de queixa quanto a envio de exemplares, qualidade da impressão e simpatia e brevidade com que me respondem às questões.



☞ Aconselharia a Corpos Editora a outros escritores?

Não é uma editora com muita visibilidade, mas se pretenderem ver a vossa obra publicada a custo zero (apenas se paga os livros encomendados) então é uma das melhores opções que podem tomar. Têm é de fazer a publicidade.



☞ Quais são as suas principais fontes de inspiração?

As pessoas, sobretudo. As pessoas da minha vida inspiram-me e não sabem disso! E outras pessoas que não conheço de lado nenhum também. É muito natural eu parar a olhar para alguém e tirar notas mentais sobre ela e mais natural ainda é que inclua as suas características no que escrevo. A natureza fascina-me e ajuda-me a escrever. Sou uma privilegiada por conseguir estar rodeada por elementos pela qual sou apaixonada, como árvores frondosas, montanhas, campos… E quando quero inspirar-me ainda mais procuro locais calmos, com paisagens de cortar a respiração. 



☞ De todos os géneros literários, qual é o que mais aprecia ler? E do vasto mundo dos escritores, qual é o seu favorito?

Eu adoro o mistério nas histórias e embora não possa de todo categorizar o meu gosto porque eu gosto de muitos géneros literários, acho que de todos é o que mais me fascina. E então com um gostinho de drama ainda me chama mais a atenção! 

Definitivamente Emily Brontë. Aprecio imenso a sua escrita fria e a forma como conseguiu criar personagens tão complexos que só me faz querer chegar aos seus calcanhares. Para além do mais, a sua história de vida é também uma das coisas que me faz torna-la mais a minha escritora de eleição.



☞ Como foi ver uma obra da sua autoria publicada quando tinha apenas 18 anos?

Claro que para mim foi um cumprir de um sonho e um passo extremamente importante porque foi preciso “sair do armário” e contar a toda a gente, incluindo à minha família, que tinha escrito um livro e que o ia publicar. Sim, porque o processo de criação foi feito em segredo. Não sei bem porque decidi não contar a nenhum familiar, mas foi engraçado ver as reações.



☞ Tem alguma outra obra para breve? Se sim, será que nos poderia matar a curiosidade e revelar algo sobre ela?

Sim, tenho. Algo mais psicológico, com uma densidade mais profunda e com personagens mais adultas. Digamos que é um registo mais maduro e que prefiro não divulgar muito, sobretudo porque não gosto de deixar nada a meio e aconteceu-me já imensas vezes, pelo que não quero criar expetativas enquanto não termino efetivamente de o escrever. No entanto, posso dizer-vos que envolve novamente um segredo, ainda que um pouco mais sombrio que o de “Não Confies” e talvez um pouco mais estranho. A escrita é mais simples mas a história é mais complexa. No entanto, darei tempo ao tempo para ver como corre!



☞ Para terminarmos esta entrevista, vou-lhe pedir que me fale da Sofia. Não da Sofia Alves Cardoso, a escritora e estudante de Criminologia. Mas sim da Sofia, a menina. Partilhe connosco um pouco do seu passado, da sua infância, das suas memórias. Peço que abra o coração aos leitores do JEdLP.

Bem, segundo relatos, fui uma criança bastante rebelde, aventureira, que não gostava muito de bonecas, mas sim de sair à rua para brincar com os vizinhos. Recordo-me que, já nessa altura, eu gostava de inventar histórias um tanto melodramáticas para os meus brinquedos e todos eles tinham nomes. Sinceramente, acho que tive uma infância bastante feliz e gostava que os meus filhos pudessem ter o mesmo privilégio que eu, especialmente ao andarem despreocupados nas ruas sem que alguém lhes faça mal. Coisa um pouco impensável nos dias de hoje.

Durante a fase da adolescência passei por fases menos boas. Infelizmente, ou felizmente, não fui imune ao bullying e tudo em mim era motivo de chacota pública desde o meu excesso de peso ao facto de ter tido acne precoce. No entanto, tudo o que passei não foi um desperdício de conhecimento porque essas situações serviram para formar a minha personalidade e perceber que para algumas pessoas se sentirem bem é necessário menosprezar os outros. Talvez me arrependa de não me ter imposto mais cedo, mas compreende-se que o constante decréscimo da autoestima leva a um receio crescente de fazer alguma coisa. Nesta fase a minha paixão pela escrita começa a revelar-se e vai aumentando com a idade.

E pronto, hoje sou a mesma rebelde, aventureira e irónica Sofia. Adoro chuva, adoro natureza, adoro ouvir música, adoro praticar desporto… Gosto imenso da vida que tenho, das pessoas que me rodeiam e, acima de tudo, sou feliz.



☞ Muito obrigada por nos ter concedido esta entrevista, Sofia! Foi uma honra e um enorme prazer tê-la connosco! Espero entrevistá-la novamente e muito em breve! Mais uma vez, em meu nome e da equipa, muito obrigada!

Eu é que agradeço e os maiores sucessos para a equipa!


© 2016, Raquel C. Vicente e JEdLP

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