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✍Crónica Social: Essas Criaturas Intituladas de Escritores(As) | por Sofia Alves Cardoso




Ser-se ouvinte de um escritor(a) não é de todo tarefa fácil, bem como ser-se escritor(a), ou amante da escrita, também não o é. Quando se admite socialmente a paixão há toda uma curiosidade subjacente em perceber exatamente o que gostamos de escrever. Claro que se desenvolve um discurso, por vezes extenso e secante, que por vezes extenua quem nos ouve, mas explicar a nossa paixão dá-nos tanto prazer que nos tornamos criaturas estranhas.

Para a maioria da minha rede social sei sempre o que escrever em livros de honra, cartazes, postais… E, bem, eu também achava que conseguia escrever qualquer coisa em qualquer momento, mas enganei-me redondamente. Às vezes acho que conseguia muito mais depressa escrever um discurso melodramático do que um simples postal. Por isso não pensem que escritores conseguem fazer tudo o que envolve a escrita porque, bem, não tenho superpoderes (quem me dera ter) e se não tiver uma fonte de inspiração sólida que me faça sentir borbulhar por dentro ainda mais difícil se torna a tarefa.

Ser-se escritor(a) não quer dizer que se consegue verbalizar ou explicar com toda a clareza. Às vezes dou por mim a pensar na forma como vou dizer uma frase, se devo ou não utilizar um certo vocábulo por ter receio da pessoa não me perceber (não, não estou a dizer que as pessoas são ignorantes e não me percebem. Simplesmente, por vezes, eu posso usar palavras que só utilizo num contexto especifico, como na escrita criativa, e parecer um pouco retardada em usá-las numa conversa corriqueira). Estão avisados. Eu não sei verbalizar tão bem como escrevo. 

Também não li todos os nobéis da literatura nacional e internacional. Leio aquilo que me capta a atenção e leio novos autores. É a minha preferência, e não me faz nem menos nem mais que ninguém. 

Dou erros, às vezes estúpidos, mas dou. Sendo humana sou falível e por escrever frequentemente não quer dizer que seja uma mestre na escrita. Muitas vezes não sei o que escrever. Inclusive demorei três anos a conseguir arranjar um tema suficientemente aliciante para começar um novo projeto, mas isso não me demove porque nem sempre consigo arranjar inspiração, tempo e vontade, mas vou conseguir terminar.

Ser-se escritor(a) não é ser-se um “bichinho” confinado ao seu cubículo encatrafiado num computador o dia todo. Antes de termos esta paixão e aproveitarmos cada minutinho para escrever somos aquilo que nos distingue: nós mesmos. Temos uma vida por detrás porque esta sim não para e nós temos de a acompanhar. 

E vocês escritores e amantes de escrita? O que é, aos olhos dos outros, ser escritor?




© 2016, Sofia Alves Cardoso e JEdLP

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