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✍Entrevista a Danyel R. S. Marmo: Autor da Obra 'William Hart e a Tomada do Império'



Desta vez, o JEdLP traz a todos os seus leitores uma entrevista a um fantástico autor brasileiro. Um dos mais recentes nomes da ficção especulativa lusófona! 

Esse escritor é Danyel R. S. Marmo que veio falar um pouco da sua pessoa e da sua obra 'William Hart e a Tomada do Império'. Acompanhem a nossa entrevista até ao fim e fiquem a conhecer mais um novo talento que escreve em bom português!


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☞ Boa noite, Danyel. Antes de mais, quero-lhe agradecer por ter concedido ao JEdLP esta entrevista. É uma honra tê-lo connosco! Para começarmos, gostaria de lhe pedir que se apresentasse aos nossos leitores explicando-lhes quem é Danyel R. S. Marmo. 

Danyel Rezende dos Santos Marmo é, acima de tudo, um amante de histórias. Sempre me interessei pelas aulas de História na escola, e isso se estende para quase tudo que gosto de fazer. Adoro jogos de todos os tipos, filmes, séries e livros. Isso é um reflexo da minha paixão por história, principalmente as de fantasia e ficção. Sempre tive uma conexão muito forte com música também, ouço minhas músicas o tempo inteiro. Acho que de uma maneira geral, Danyel R. S. Marmo é uma pessoa que vive nos inúmeros mundos fantasiosos que estão dentro de sua cabeça. A realidade, muitas vezes, simplesmente é secundário para mim.




☞ Tal como se pode ler na sua biografia [ler aqui], teve contacto com a literatura desde muito cedo. Qual foi o livro que mais o marcou? E qual foi o que mais o incentivou a aventurar-se no mundo das letras?

Tive contato com livros infantis desde que nasci, sendo mais preciso. Aos 10 anos eu comecei a ler livros como As Crônicas de Nárnia e Harry Potter, o que acaba respondendo à primeira pergunta. As Crônicas de Nárnia foi um dos livros que mais me marcaram, em minha opinião, por ter sido o primeiro livro infanto-juvenil de fantasia que eu li, e foi o pontapé inicial para minha paixão por esse mundo da literatura fantástica, pois eu me encantei com isso à primeira vista. Eu diria que nenhum livro ou autor em específico me incentivou a entrar no mundo das letras, pois eu mesmo só descobri minha paixão por escrever histórias depois de ter começado a escrever meu livro. Sempre tive muita criatividade, e ao longo da minha adolescência eu fui criando várias cenas com as mesmas pessoas. Eu aperfeiçoei essas ideias iniciais na minha cabeça, simplesmente como um passatempo, e como os personagens que eu imaginava participando dessas cenas eram os mesmos, foi apenas questão de tempo para eu amarrar isso em uma história. Então, com algo pronto na cabeça eu pensei que deveria escrever para poder mostrar o que eu havia criado, e ao começar a fazer isso, descobrir um amor por escrever histórias. No fim das contas, talvez o livro que me incentivou a entrar nesse mundo tenha sido o meu próprio.




☞ O Danyel toca violino e canta. Participou em 2011 na Camerata Difusa e em 2012 cantou em um coral, tendo abandonado ambas as actividades em 2013. Diga-nos, o que despertou a sua paixão pela música? Como descreveria a sua experiência na Camerata Difusa e no grupo coral? E, explique-me, a música influencia de alguma forma a sua escrita e as suas histórias?

Minha mãe é professora de dança, portanto também tive contato com a música desde que nasci. Talvez a paixão por música seja hereditária, então, porque eu tenho gosto por isso desde sempre. Minhas experiências tanto na camerata quanto no coral foram maravilhosas, eu adorava participar de ambos, não há muito mais que descreva. A música, literalmente, é a fonte das minhas histórias. É o meu processo criativo. Sempre que ouço uma música, começo a imaginar algo, seja uma cena específica, um personagem ou toda uma história. Conforme escuto mais vezes a mesma melodia, vou aperfeiçoando a ideia até estar pronta para ser escrita. Na hora de escrever eu não gosto de escutar nada, mas na criação das histórias a música é a fonte primordial.




☞ Para além da música, o Danyel praticou karaté-do durante 7 anos e aos dias de hoje ainda tem por hábito treinar. O que é que o levou a praticar essa arte marcial? Ela inspira-o de alguma forma à hora de escrever?

Tanto minha mãe quanto meu pai treinaram Karatê, sendo meu pai faixa preta. Isso influenciou para que eu escolhesse essa arte marcial, mas particularmente eu também queria treinar algum tipo de luta. Ela não chega a me inspirar na hora de escrever, mas ajuda de forma mais indireta. O Karatê, além da habilidade de me defender, me ensinou disciplina e auto-controle, ambas características que auxiliam na hora de sentar e escrever um livro. A arte marcial tem toda uma filosofia, que é bem mais importante que a parte da luta em si, e isso é muito útil em qualquer aspecto da vida, o que inclui criar e escrever.




☞ Aos 16 anos o Danyel sentiu a necessidade de escrever uma obra, de passar para o papel uma das suas histórias. Uma história que deu origem a William Hart e a Tomada do Império. Conte-nos, o que é que o incentivou a começar a escrever este livro? 

Simplesmente o fato de ter uma história muito legal em minha cabeça, criada por mim. Eu pensei que, se eu tinha algo completo e de qualidade pronto dentro da minha cabeça, deveria escrever. Sempre gostei de ler, e quando criança eu já havia tentado escrever um livro, então achei que era o que eu tinha que fazer à respeito daquela história. Passei a amar fazer isso só depois de começar.




☞ Descreva aos leitores do JEdLP a sua obra. Conte-lhes aquilo que os espera em William Hart e a Tomada do Império. E fale-me um pouco mais sobre este protagonista da sua obra, sobre este jovem com poucos amigos que passou toda a vida num orfanato. 

Meu livro se passa em um planeta paralelo criado por mim, chamado Dremnor, em um cenário de fantasia medieval. A história conta sobre os deuses deste mundo, sobre o que aconteceu na família deles que mudou todo o planeta, permitindo que tiranos passassem a governar os mortais. Mil anos depois, os protagonistas da trilogia que estou escrevendo incitam o povo de um império e os lideram em uma revolta contra seu governante. Esse é o primeiro passo no plano de restaurar a paz e a ordem em Dremnor. William nada mais é do que um dos três protagonistas. Porém, o orfanato onde passou parte de sua vida não fica no planeta Dremnor. Este detalhe eu deixo apenas como uma provocação à curiosidade dos leitores. O garoto do orfanato não se interessava muito pelas pessoas à sua volta, com exceção à garota por quem ele era apaixonado. Receio que contar mais sobre William Hart acabaria em spoiler, o que não gosto de fazer. 




☞ Haverá um segundo volume? Pretende fazer desta sua obra o início de uma saga?

Definitivamente. A intenção deste livro sempre foi ser o primeiro de três livros. Quando comecei a escrevê-lo, já tinha o esqueleto da trilogia inteira na minha cabeça, com a história já dividida nos três livros, cada um com seu final designado. Digamos que eu gosto muito de planejar bem as coisas antes de fazer. Mas isso se deve ao fato de que quando pensei que esta história daria um livro, minha mente já começou a trabalhar em como isso seria feito. Eu ainda não havia começado a escrever oficialmente nesse ponto.




☞ Quando escreve, o que pretende transmitir ao leitor? Qual é a mensagem que gostaria de passar a todos aqueles que lêem as suas obras?

Bem, quero, acima de tudo, contar a história que está ali escrita. Entreter o leitor com ela, como um livro de fantasia deve fazer. Mas, claro, é um pouco mais profundo do que isso. Eu escrevo de forma a colocar o leitor na pele do personagem que está narrando a história, minha intenção é fazê-lo ver o que o personagem vê, sentir o que ele sente, estar dentro da mente dele. É por isso que gosto de escrever em primeira pessoa. Dessa forma, eu tento não só contar aquela história, mas fazer com que meu leitor viva ela.




☞ Ao escrever, possui algum género favorito (para além de Ficção)?

Em termos de cenário, meu território é a fantasia medieval. Mas, de uma forma geral, eu gosto de aventura. Todas as histórias que tenho prontas na cabeça são focadas na aventura. Gosto de colocar um pouco de outros gêneros ao longo da trama, como um pouco de romance, mas sem sombra de dúvidas meu gênero favorito é a aventura.




☞ Enquanto escritor, qual é o seu principal objectivo? O que é que gostaria de alcançar com as palavras?

Como eu expliquei, quero fazer o leitor se sentir vivendo na pele do personagem que está narrando. Quero que ele seja mais do que alguém assistindo à história de longe, que ele se sinta dentro dela.




☞ Quais são as suas principais fontes de inspiração ao escrever? 

Gosto de pensar no George Martin como um exemplo para minha escrita, pois a forma como ele descreve tudo fazendo você enxergar a cena diante de si é magnífica. Mas em termos de bagagem de recursos para usar no cenário de fantasia em que escrevo, posso citar o livro As Crônicas de Nárnia, os filmes do Senhor dos Anéis, a série de jogos Final Fantasy e o RPG de mesa, mais precisamente o sistema Dungeons & Dragons.




☞ De todos os géneros literários, qual é o que mais aprecia ler? E do vasto mundo dos escritores, qual é o seu favorito?

Assim como o que escrevo, gosto e sempre gostei de ler aventuras, com preferência para a fantasia. Magia, dragões, elfos, espadas, escudos e todos esses elementos da fantasia medieval é de longe o que eu mais gosto. Para ser sincero, eu não me baseio nos autores, e tenho como característica evitar ao máximo escolher favoritos, independente do assunto, portanto sempre pego um livro para ler por conta de sua história.




☞ William Hart e a Tomada do Império foi uma obra publicada pela Chiado Editora. Como descreveria a sua experiência com eles? Voltaria a repetir? 

Eu diria que ainda é cedo para descrever com detalhes minha experiência com a Chiado e se eu repetiria, porque publiquei minha obra não faz tanto tempo. Mas até agora posso dizer que o trabalho que eles fizeram no livro foi ótimo e que estão sempre prontos a te ouvir e te atender da melhor forma possível.




☞ Aconselharia a Chiado Editora a outros escritores?

Aconselharia sim, é uma boa editora. Para começar, eles te respondem com rapidez, sendo a resposta positiva ou negativa. Algumas editoras simplesmente não te respondem se não estiverem interessados, algo que eu acho errado.




☞ Como é que descreveria o Mercado Literário do Brasil face a novos nomes da literatura? Considera que os leitores brasileiros estão dispostos a arriscar em novos escritores? Acha que eles estão abertos a novas obras? 

O Brasil não dá tanta importância à literatura como outros países, em minha opinião. Além disso, a população tem como costume venerar os produtos estrangeiros e desconsiderar os nacionais, e isso não apenas na literatura, mas em quase tudo. O povo brasileiro se habituou a pensar no que vem de fora do país como exemplo de qualidade, e o que vem daqui não é tão bom. Isso dificulta nossa literatura nacional, pois as próprias livrarias não se interessam muito em colocar livros nacionais nas prateleiras, com exceção daqueles que já estão famosos. Os leitores brasileiros, e eu estou generalisando, não são inclinados à arriscar novos escritores e novas obras, principalmente se forem nacionais. Por conta disso tudo, ser um escritor brasileiro novo é uma luta difícil e complicada, pois convencer o leitor a levar e ler sua obra aqui pode se mostrar um desafio. Mas a boa notícia é que esse cenário vem mudando, aos poucos, e está melhorando.




☞ Como é que tem sido o feedback de William Hart e a Tomada do Império? O que é que os leitores habitualmente lhe dizem depois de lerem a sua obra?

Considerando que sou um escritor desconhecido no início de sua carreira, eu tenho vendido bem. As pessoas parecem se interessar em meu livro olhando a capa e também ouvindo minha explicação rápida sobre sua história. Todos os que leram até o final me disseram que gostaram muito do livro e que aguardam ansiosamente pelo segundo volume da trilogia. Alguns me disseram que se tornaram fãs do livro, pois adoraram toda a obra, e ainda houve uma pessoa que me disse que foi prendida pela minha história de uma maneira que ela não sentiu com nenhum outro livro antes. Saber que estão gostando do meu trabalho dessa forma me deixa realmente muito feliz.




☞ O que é que sentiu ao ter pela primeira vez nas suas mãos o seu primeiro livro?

Eu senti uma felicidade extrema, é claro. Sentir o livro em minha mãe e vê-lo, aquilo era um sonho se tornando realidade. Não foi fácil, e muito menos rápido escrever e publicar meu livro, portanto a sensação de pegá-lo foi indescritível, pois eu tinha conseguido vencer aquela luta, e ali eu estava dando o primeiro passo para a jornada na qual eu queria me lançar, o objetivo de vida de ser escritor. Eu chorei nesse dia. Não poderia ter me expressado melhor.




☞ Tem alguma outra obra para breve? Se sim, será que nos poderia matar a curiosidade e revelar um pouco sobre ela?

Para breve, infelizmente eu diria que não. Ainda estou escrevendo a continuação da minha saga William Hart, e não tenho previsão para publicar. Porém posso revelar um mínimo sobre a continuação desse primeiro livro. William e suas irmãs, na campanha para conseguir derrotar as antagonistas da história, vão ter de fazer uma expedição para o oceano desconhecido de Dremnor, para além da Linha Protetora, esta sendo uma fronteira mágica lançada no mar em volta do maior continente do planeta, o único povoado por seres inteligentes. Esta linha protegia as civilizações de todos os monstros que vivem no oceano de Dremnor, e todos os que a cruzaram jamais retornaram.




☞ Para terminarmos esta entrevista, vou-lhe pedir que me fale do Danyel. Não do Danyel R. S. Marmo, o escritor, músico e faixa roxa em karaté-do. Mas sim do Danyel, o menino. Partilhe connosco um pouco do seu passado, da sua infância, das suas memórias. Peço que abra o seu coração aos leitores do JEdLP.

Bem, eu nunca tive muito interesse em viver a realidade, ouso dizer até que ela é entediante na maior parte do tempo. Por isso eu vivo inúmeras vidas em inúmeros universos, pulando da pele de um personagem para outro. É para isso que eu sempre vivi, para a fantasia. Minha infância foi boa, e eu brinquei muito com meus amigos também, apesar de minha preferência pela ficção. Aliás, passar tempo com as pessoas que eu gosto, amigos e família em geral, é um dos prazeres que o mundo real consegue me dar de forma única. Mas desde pequeno minha mente foi meu melhor parque de diversões, enquanto eu lia, jogava ou assistia algo. Costumo pensar que meu corpo físico é um suporte para minha mente, e lá dentro, onde eu vivo e crio infinitas vidas, é o meu lugar.




☞ Muito obrigada por nos ter concedido esta entrevista, Danyel! Foi uma honra e um enorme prazer tê-lo connosco! Espero poder repetir esta entrevista com uma nova obra da sua autoria! Mais uma vez, em meu nome e da equipa, muito obrigada!



© 2016, Raquel C. Vicente e JEdLP

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