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✍22 Lições de Stephen King | Como se Tornar num Grande Escritor




O nome de Stephen King é sinónimo de brilhante e prolífico escritor ou não fosse ele considerado como um dos mais notáveis autores de contos de horror fantástico e ficção da sua geração. Com mais de 50 livros escritos e mais de 360 milhões de cópias vendidas em mais de 40 países, este autor é o nono mais traduzido no mundo. 

Apesar de ser apelidado como “o mestre do terror”, Stephen King também escreveu obras igualmente notáveis fora deste género. Como é o caso do conto The Body (presente na colectânea As Quatro Estações) que foi adaptado para o cinema com o título de Stand by Me. 

Várias obras do autor foram adaptadas ao cinema e à televisão. 
Fotografia: Adaptação Cinematográfica de 'The Shining'


Para além do já citado Stand by Me, vi vários filmes baseados nos romances de Stephen King, nomeadamente: Shining, Os Condenados de Shawshank, The mist, The Green Mile, Janela Indiscreta, Carrie, 1408 e mais recentemente Cell (Bom, para falar a verdade ainda não o vi, mas está na minha lista de filmes a ver, porque li o livro e gostei muito da sua história). Para além destas obras cinematográficas também fui seguidor da série “Under the Dome”, baseada no romance de título homónimo que para meu grande desgosto foi cancelada depois de 3 temporadas. 

Um dia destes, quando via o feed do Facebook, vi um post do Business Insider intitulado 22 Lessons from Stephen King on How to Be a Great Writer (22 lições de Stephen King em como se tornar um grande escritor). Como sou um admirador deste escritor, e como gostaria de um dia vir a ser considerado também um “grande escritor”, não resisti e cliquei no link. 

E quais são as lições do “mestre”? Leia o que se segue.



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1. Pare de ver televisão. Em lugar disso, leia o máximo que puder.


Se está a começar como escritor, a sua televisão deve ser a primeira coisa a desaparecer. É, segundo ele, “venenosa para a criatividade”. Os escritores necessitam de observar os seus interiores e de se virarem na direcção da vida da imaginação.

Para tal, o futuro escritor deve ler o máximo que puder. Segundo o Business Insider, King leva um livro consigo para onde quer que vá, e lê mesmo durante as refeições. “Se quer ser um escritor, deve dedicar o seu tempo sobretudo a duas coisas que são: ler muito e escrever muito” diz. Leia amplamente, e trabalhe constantemente no sentido de refinar o seu trabalho.



2. Prepare-se para o fracasso e para as críticas.



King compara a escrita de um romance a uma travessia no Oceano Atlântico numa banheira, porque em ambos os casos “existem muitas oportunidades para a dúvida”. Segundo King, o escritor, para além dos momentos em que irá duvidar das suas capacidades (como se isso não bastasse), terá de saber lidar com o cepticismo das outras pessoas em relação a estas. Ele acrescenta: “Se escreve (pinta, dança ou esculpe, ou canta) irá haver sempre alguém que o(a) vai fazer sentir-se mal consigo mesmo e vai tentar fazê-lo(a) entender que não presta”. 

Muitas das vezes, terá de continuar a escrever mesmo quando não lhe apeteça. 

“Parar uma peça de trabalho só porque é difícil, quer seja a nível emocional, quer seja imaginativo, é uma má ideia”. Mesmo que falhe, King sugere que se mantenha positivo. “Optimismo é uma resposta perfeitamente legítima ao fracasso”.


3. Não perca tempo a tentar agradar as outras pessoas.


De acordo com King, a descortesia deve ser das suas últimas preocupações. “Se quer escrever da forma mais sincera possível, os seus dias como membro da sociedade polida acabaram,” escreve. King costumava sentir-se envergonhado daquilo que escrevia, especialmente depois de receber cartas furiosas acusando-o de ser fanático, homofóbico, homicida e, até mesmo, psicopata. 

Por volta dos seus 40 anos, ele apercebeu-se de que todos os escritores decentes foram acusados de ser um desperdício de talento. King, por fim, acabou por desistir de travar esta batalha. No seu entender acha que se uma pessoa desaprova o seu trabalho, paciência, ele não irá mudar. No fundo o que King quer transmitir é, e recorrendo a uma velha máxima popular que ilustra tão bem esta ideia, “Não se pode agradar a gregos e a troianos”.


4. Escreva em primeiro lugar para si mesmo.   


Deve de escrever porque isso lhe traz felicidade e o faz sentir-se realizado(a). Tal como King admite, “Eu comecei a escrever para divertir-me. E se você consegue retirar prazer da escrita, pode fazê-lo para sempre.”

O escritor americano Kurt Vonnegut disse uma coisa parecida: “Procure um assunto de que goste e que no seu coração ache que os outros irão gostar” e acrescenta “O teu sentimento genuíno, e não os teus jogos de palavras, será o mais atraente e sedutor elemento no teu estilo [de escrita] ”.



5. Ataque as coisas que são mais difíceis de escrever.



“As coisas mais importantes são aquelas que são mais difíceis de dizer.” Não sou eu que o afirmo, mas sim Stephen King que acrescenta “Existem aquelas coisas das quais te envergonhas porque as palavras diminuem os teus sentimentos.”. A grande maioria das grandes obras de escrita são precedidas por horas de pensamento. No parecer de King, “Escrever é o pensamento refinado”. 

Quando ao lidar com questões difíceis, tenha a certeza de que vai até ao fundo da questão. King diz, “Histórias são como coisas encontradas, como fósseis no chão… Histórias são relíquias, fazem parte de um mundo pré-existente que ainda está por descobrir”. Os escritores devem ser como arqueólogos; escavar o mais que puderem para encontrar a sua história.


6. Quando estiver a escrever, desconecte do resto do mundo.


Escrever deveria ser uma actividade intimista. Ponha a sua secretária a um canto do quarto, e elimine todas as possíveis distrações, desde telefones a abrir janelas. King aconselha “Escreva com a porta fechada; reescreva com a porta aberta”.



7. Não seja pretensioso(a).



“Uma das más práticas que pode fazer enquanto escritor é adornar o vocabulário, procurar por palavras longas porque fica um pouco embaraçado com as pequenas”. Ele compara o erro ao de adornar uma mascote com trajes de gala – tanto o dono como o animal iriam ficar incomodados porque é totalmente descabido e excessivo. 

Um icónico homem de negócios, David Ogilvy, escreveu um memo aos seus empregados, “Nunca utilize palavras como reconceitualizar, desmassificação, (…). Elas são demasiado distintivas e pretensiosas como tudo”. 

Para além disso não use nenhuns símbolos, a não ser, claro está, que seja estritamente necessário. 

“O simbolismo existe para adornar e enriquecer, não para criar um sentido artificial de profundidade,” assegura King.



8. Evite o uso de advérbios e parágrafos longos.



Como King enfatiza nas suas memórias, “o advérbio não é teu amigo”. Na verdade, ele crê que “A estrada que leva ao inferno está pavimentada por advérbios” e compara-os a dentes-de-leão que arruínam a nossa relva. Advérbios são o pior depois de “ele disse” e “ela disse” – estas frases ficam melhores se não forem adornadas. 

Também deverá prestar atenção aos seus parágrafos, para que eles não quebrem o fluxo da história. “Nos parágrafos é quase sempre importante que o seu aspeto coincida com o seu conteúdo,” afirma King.



9. Não se prenda demasiado à gramática.



De acordo com King, escrever está — em primeira instância — relacionado com sedução e não com precisão. 

“Nem sempre na língua se tem de usar gravata e sapatos de laço,” escreve King, “O objecto da ficção não é correcção gramatical, mas fazer com que o leitor se sinta bem-vindo”. 

Deve esforçar-se ao máximo para que o leitor se esqueça que está a ler uma história.



10. Domine a arte da descrição.



“Descrição começa com a imaginação do escritor, mas deveria terminar com a dos leitores”, escreve King. A parte importante não é escrever o suficiente, mas limitar o quanto se diz. Visualize o que quer que o seu leitor experiencie e depois traduza o que vê na sua mente em palavras na página. Necessita descrever as coisas “de uma forma que o leitor formigue com o reconhecimento,” diz.

A chave para uma boa descrição é claridade, quer na observação, quer ao escrever. Use imagens frescas e vocabulário simples para poupar o seu leitor da exaustão. “Em vários casos quando o leitor põe a história de parte é porque é aborrecida, o aborrecimento surge porque o escritor cresceu encantado com os seus dotes de descrição e perdeu de vista a sua prioridade, que era manter a bola a rolar,” observa King.



11. Não dê demasiada informação de fundo.



“O que precisa de ter sempre em mente é que existe uma diferença entre leccionar sobre o que sabe e usar o que sabe para enriquecer uma história,” escreve King. Tenha a certeza de que apenas inclui detalhes que movam a sua história para a frente e que persuadam o seu leitor a continuar a ler. 

Se necessita de fazer pesquisa, tenha a certeza de que esta não ofusque a história. Pode ficar em transe com o que acabou de aprender, mas os seus leitores vão querer saber mais sobre as suas personagens e a sua história.


12. Conte histórias sobre o que as pessoas realmente fazem.


“Má escrita é mais do que uma questão de mau uso da sintaxe e má observação; má escrita surge normalmente de uma teimosa recusa para contar histórias sobre o que as pessoas realmente fazem – para encarar o facto, digamos, que assassinos por vezes ajudam senhoras idosas a atravessar a rua,” escreve King. As pessoas nas suas histórias são aquilo com que os seus leitores se importam mais, por isso tenha a certeza de que conhece todas as dimensões que as suas personagens podem ter.



13. Corra riscos; Não jogue pelo seguro.



Em primeiro lugar, pare de usar a voz passiva. É o maior indicador de medo. “Estou convencido que o medo é a raiz da grande maioria de má escrita,” diz King. Escritores devem endireitar as costas, espetar o queixo no ar e pôr a sua escrita ao comando. 

“Tente qualquer coisa que goste, não interessa o quão entediante ou ultrajante seja. Se funcionar, muito bem. Se não, deite fora,” diz King.


14. Perceba que não precisa de drogas para ser um bom escritor.


“A ideia de que o esforço criativo e psicotrópicos estão entrelaçados um no outro é um dos grandes mitos intelectuais do nosso tempo,” diz King. Aos seus olhos, os escritores que fizeram uso abusivo de substâncias não passam de toxicodependentes. “Qualquer um que diga que as drogas e o álcool são necessários para entorpecer uma sensibilidade mais fina é simplesmente mentira”.





15. Não tente roubar a voz de outrem.


Como King adverte, “Não pode fazer pontaria a um livro como um míssil de cruzeiro.” Quando está a tentar imitar o estilo de outro escritor por qualquer outra razão que não seja a de praticar, está a produzir nada mais do que “imitações baratas”. Isto acontece porque nunca pode imitar a maneira como alguém sente e experiencia a verdade, pelo menos não através de um olhar ao nível da superfície em vocabulário e trama.



16. Perceba que escrever é uma forma de telepatia.



“Todas as artes dependem de telepatia até certo grau, mas eu acredito que a escrita é forma mais pura de destilação,” diz King. 

Um importante elemento da escrita é transferência. O seu trabalho não consiste em apenas escrever palavras numa página, mas sim em transferir as ideias que estão na sua cabeça para a cabeça dos seus leitores. 

“Palavras são apenas o meio através do qual a transferência acontece,” afirma King. No seu conselho de escrita, Vonnegut também recomendou os escritores “a usarem o tempo de um total desconhecido de uma forma que ela ou ele não sintam que lhe tenham gasto o seu tempo”. 


17. Leve a sua escrita a sério.


“Pode abordar o acto da escrita com nervosismo, excitamento, esperança, ou desespero,” adverte King. “Faça-o, mas de uma maneira ligeira”. 

Se não quer levar a sua escrita a sério, eu sugiro que feche o livro e que vá fazer outra coisa qualquer. 

A escritora Susan Sontag diz, “A história deve atingir-me um nervo. O meu coração irá começar aos saltos quando eu ouvir a primeira linha na minha cabeça. Eu começarei a tremer”.


18. Escreva todos os dias.


“Uma vez que começo um projecto, eu não paro e não abrando a não ser que seja forçado,” declara King. “Se eu não escrever todos os dias, as personagens começam a desvanecer na minha mente…Eu começo a perder a trama da história e o ritmo”. 

Se falhar ao escrever consistentemente, o excitamento pela ideia começa a desaparecer. Quando o trabalho começa a parecer trabalho, King descreve o momento como “o beijo da morte”. O melhor conselho dele é voltar a escrever “uma palavra de cada vez”.


19. Termine o seu primeiro rascunho em 3 meses.


King gosta de escrever 10 páginas por dia. No curto espaço de três meses ele soma à volta de 180,000 palavras. “O primeiro rascunho de um livro – mesmo que seja um livro grosso – deve levar não mais de três meses, a duração de uma estação,” diz ele. 

Se passar demasiado tempo com uma obra, King acredita que a história começa a assumir uma forma estranha. 


20. Quando termine de escrever, dê um passo atrás.



King sugere seis semanas de “recuperação” depois de terminar de escrever, dessa forma você pode espairecer a mente para ver furos gritantes na trama da história ou no desenvolvimento das personagens. Ele assevera que a percepção original do escritor de uma personagem pode ser defeituosa como a dos leitores. 

King compara o processo de escrita e de revisão à Natureza. “Quando você escreve um livro, passa dia após dia a explorar e a identificar as árvores”, diz. “Quando acabar, tem de dar um passo atrás e observar a floresta”. 

Quando encontrar os seus erros, King afirma que “está proibido de se sentir deprimido a propósito deles ou de mutilar-se. Os erros são a melhor parte de nós”. 


21. Tenha a coragem de cortar.


Quando revisa uma obra, o escritor, frequentemente, depara-se com a dificuldade de apagar palavras que tanto lhe custaram a juntar. Mas tal como King aconselha, “Mate as suas queridas, mesmo quando isso quebre o seu egocêntrico e pequeno escrevinhador coração”. 

Apesar de a revisão ser uma das fases mais complicadas da escrita, precisa de deixar as partes aborrecidas de modo a que a história prossiga. No seu conselho de escrita, Vonnegut também sugere, “Se uma frase, não importa o quão excelente ela esteja, não iluminar o seu assunto de uma forma nova e útil, risque-a”.


22. Continue casado, seja saudável e viva uma boa vida.


King atribui o seu sucesso a duas coisas: à sua saúde física e ao seu casamento. “A combinação entre o meu corpo saudável e a relação estável que tenho com a minha mulher auto-suficiente (…) tornou a continuação da minha vida possível,” ele escreve. 

É de suma importância manter um equilíbrio na sua vida, para que a escrita não a consuma completamente. 

Nos 11 mandamentos de escrita de Henry Miller, ele aconselha “Mantenha-se humano! Veja pessoas, vá a sítios, beba se lhe apetecer”. 





© 2016, Texto e Tradução Frederico Ferreira e JEdLP

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