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✍Entrevista a Iapsa: Autora da obra 'Master Freak'



Iapsa




Master Freak é uma obra de terror e ficção científica inspirada na série American Horror Story: Freakshow. Um livro da autoria da escritora brasileira Iapsa. 

Hoje, o JEdLP traz a todos os seus leitores uma entrevista com a autora onde esta nos revelou um pouco mais sobre a sua obra, bem como de si mesma. Uma conversa a não perder! 


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✍Boa noite, cara Iapsa! É um prazer tê-la connosco! Para começarmos a entrevista, gostaria de lhe pedir que se apresentasse aos leitores do JEdLP!

O prazer é meu!
Olá, JEdLP! Meu nome é Iapsa, tenho 19 anos e sou brasileira, de São Paulo. No ano que vem, estarei lançando meu primeiro livro, intitulado Master Freak, de terror e ficção-científica, inspirado pela série American Horror Story: Freakshow


✍A Iapsa estuda Direito, pratica ballet e é, ainda, cantora. Conte-me, de que forma influenciam os seus estudos e as suas paixões (se é que o fazem) a sua escrita e as suas histórias?

Bom, tanto a minha escrita quanto a minha música são muito pessoais. Posso dizer que tudo o que eu escrevo é real de alguma forma; uma metáfora de coisas que eu já vivi, sentimentos que experimentei... Tudo isso está muito refletido no meu trabalho, e também nas coisas que eu gosto. Por exemplo: minha banda favorita é Evanescence, e isso não é à toa. Todas as músicas do Evanescence são muito sensíveis e realistas, tratam principalmente de sentimentos, e eu sempre me identifico com eles. Com o ballet não é muito diferente; me lembro que detestava quando criança, mas, após assistir ao filme Cisne Negro, vi o quanto o ballet é profundo e mexe com a nossa cabeça. Foi isso que me fez me apaixonar por ele. O Direito é a parte mais recente! Infelizmente, aqui no Brasil, não temos muitos cursos superiores na área artística (quase nenhum), e os que temos não oferecem um futuro muito rentável, então precisei optar por alguma outra coisa para estudar. Meu pai é advogado, e sempre me falou muito bem de Direito. Eu havia tentado Letras e havia sido um desastre, então decidi seguir a sugestão dele, e não podia ter me dado melhor. Embora não se relacione diretamente com o que eu amo fazer, escrever e cantar, em Direito nós aprendemos a analisar o mundo de outra forma, e isso expande muito a nossa mente. Fora que conseguimos entender nossos contratos muito melhor (risos).


✍Pode-se ler na sua biografia que começou a escrever fanfictions aos 13 anos e que foi a partir daí que desenvolveu as suas habilidades. O que é que a levou a fazê-lo? O que a incentivou a escrever desde tão cedo?

Bom, eu entrei no mundo das fanfictions porque gostava de um desenho animado da Disney, chamado Kim Possible, que infelizmente é bem antigo e acabou há bastante tempo. Eu comecei a gostar dele já depois de ter acabado, e, logo depois, parou de passar na T.V. aqui no Brasil. Por isso, eu comecei a pesquisar fanfictions desse desenho, e encontrei centenas delas no fanfiction.net. Lendo algumas, me senti inspirada a escrever as minhas. Lembro que comecei em 2011, e a minha última postada foi em 2014. O engraçado é que ninguém escrevia em português no fanfiction.net, então eu precisei traduzir minhas fanfictions para inglês antes de postá-las. Mas no fim isso foi bom, porque me ajudou a melhorar minhas habilidades de tradução também. Foi escrevendo histórias sobre os personagens daquele desenho que eu senti mais vontade de criar os meus. Eu já escrevia histórias originais também, mas até então nunca tinha me aventurado a escrever um livro inteiro que não tivesse alguma influência bem visível de um desenho, filme ou video-game. A ideia para o primeiro livro que escrevi me surgiu em 2012. Ele ainda vai ser publicado um dia, mas só no futuro, porque está passando por intensos processos de reescrita e revisão desde o começo de 2015. Foi durante essas "crises" com esse livro que a ideia de Master Freak surgiu. Como já estava com mais prática, com Master Freak foi muito mais fácil, e essas crises não aconteceram. Tanto é que estou prestes a publicá-la no ano que vem.


✍Disse que se inspirou em séries como American Horror Story: Freak Show para escrever o seu livro. O que viu nessas séries que tanto a cativaram? E de que forma elas a inspiraram?


Bom, minha história com American Horror Story é bem longa e engraçada. Eu sempre fui muito medrosa, mas, por algum motivo, sempre tinha algum interesse estranho pela série, queria assistir de qualquer jeito. Isso já acontecia com Asylum, a segunda temporada, mas com Freakshow, a quarta, se intensificou muito. O fato é que eu, estranhamente, sempre me senti uma espécie de aberração humana. Sempre me senti diferente dos outros, esquisita, e, até aprender a ter orgulho disso, ao invés de vergonha, foi um processo bem demorado. Por isso me interessei tanto pela temporada de American Horror Story que falava das aberrações humanas. E, também, por causa de uma personagem específica de AHS Freakshow: a Elsa Mars, interpretada por Jessica Lange. Por mais estranho que pareça, me identifiquei muito com ela, desde que consegui coragem para assistir à série. Ela me inspirou a cirar uma personagem para Master Freak também. Mas a ideia central veio de como existem formas diferentes de ser uma aberração, e as piores delas não são físicas, que é um tema que a quarta temporada da série aborda também.


✍Master Freak é uma história que nos fala de Margot Küllon, uma mulher que acaba num 'bordel de aberrações', onde conhece indivíduos assombrosos, peculiares. Explique-nos um pouco melhor esta sua história.

A protagonista de Master Freak, Margot, é uma garota de 18 anos que tem dois ossos extras nas costas, que sempre a fizeram viver em meio a preconceito e vergonha. Ela é sem-teto na cidade de Detroit, e trabalha em uma fábrica na qual ocorre uma explosão. Ao acordar, Margot é levada ao encontro de uma misteriosa mulher chamada Elysia Corellan, que lhe diz que, agora, ela será uma de suas escravas na Corellan House, um bordel de luxo onde todas as garotas são como Margot: freaks. A maioria delas possui deformações físicas comuns, mas algumas são dotadas de "poderes" aparentemente inexplicáveis pela ciência. Principalmente a estrela do show, que todos chamam de Master Freak, que é telecinética. Mass, como as meninas a apelidaram, está drogada o tempo todo, nunca fala ou faz nada além de seu número no show, que tem um nome bem assombroso por si só: Banho de Sangue. Margot não consegue entender o que se passa a seu redor, e começa a investigar a origem das garotas e os poderes que elas possuem, ao mesmo tempo que tenta arquitetar um plano para fugir do freakshow. Porém, isso será só o começo de suas aventuras e descobertas, inclusive com relação a ela própria.


✍A Iapsa disse-me há momentos que tudo o que escreve é muito pessoal e tem o seu quê de realidade. Em que aspectos podemos verificar isso na sua obra?

Acho que o principal está no que eu disse quando me perguntou sobre como AHS me inspirou a criar Master Freak: eu sempre tive a sensação de que era uma pequena aberração no mundo. Nunca tive muitos amigos, sempre abordei temas fortes em minhas histórias e músicas, tenho sonhos grandes desde que me conheço por gente, e nunca quis uma vida igual à das outras pessoas que eu via. Nunca mesmo. Muitas vezes, fui considerada "errada" pelas pessoas ao meu redor, ao ponto de realmente acreditar que havia algo de errado comigo. Até o momento em que, pela primeira vez, eu me perguntei: sou eu que estou errada ou são eles? O que me chocou quando fiz essa pergunta foi perceber que várias coisas que as pessoas consideram "certo" são mais erradas que eu escrever sobre temas adultos com 13 anos. Essa pergunta de "quem está errado" e quem está certo me deu a inspiração principal para Master Freak, onde cabe ao leitor decidir quem são as verdadeiras aberrações humanas. Além disso, os sentimentos como a exclusão, o preconceito e a dor, com os quais eu vivi muito a minha vida inteira, estão muito presentes no livro todo. Parece estranho, porque eu sou uma garota branca de classe média, mas eu sei bem o que é o preconceito. Não pela cor da minha pele ou minha classe social, mas simplesmente por ser como sou.


✍Suponho que todos os escritores somos, de certa forma, vistos como freaks em determinada altura das nossas vidas. Entendo perfeitamente o que diz.
Em termos literários, quais são as suas maiores referências? Os escritores que mais a inspiram?

Bom, meu maior ídolo certamente é J.K. Rowling. É estranho, porque não sou uma grande fã de fantasia, mas sou apaixonada por Harry Potter. É minha franquia favorita, tanto os filmes quanto os livros, não consigo me decidir quanto a qual dos sete (ou oito) é meu preferido. Mas não é só por isso que J.K. é meu ídolo. A história dela é simplesmente uma inspiração, porque ela, na situação em que todos duvidavam, conseguiu criar um fenômeno mundial partindo apenas de um simples livro infantil. Ela é um exemplo de superação e força. Além dela, outra obra que me inspirou muito foi Jogos Vorazes. Não para Master Freak, mas para meu outro livro, aquele que estou reescrevendo e pretendo publicar um dia no futuro. Jogos Vorazes e Harry Potter certamente são meus favoritos. Quanto à literatura brasileira, uma escritora que eu gosto muito é Clarice Lispector. Não que eu leia muitos textos dela fora da época da escola, mas todos os que eu li eram muito sensíveis, e eu gosto disso. Sempre tento fazer textos e livros sensíveis.


✍A sua obra será publicada pela editora Sekhmet. Recomenda essa editora a outros autores? Está satisfeita com o processo até agora?

Então, meu processo de publicação com a Sekhmet está só começando, mas estou muito satisfeita por enquanto. A Sekhmet tem uma proposta legal, que é não cobrar pela publicação, o que me ajudou muito. Eles incluem a capa, a diagramação... Basicamente, tudo está incluso quando você assina o contrato. Eu decidi contratar a capa com uma capista cujo trabalho eu amo, chamada Marina Avila, mas foi uma opção pessoal. É uma editora nova, acabou de ser fundada, mas eu tenho muita fé e estou muito confiante. Vamos ver no que dá.


✍O que pretende transmitir aos leitores com a sua escrita?

Acho que o que eu mais pretendo transmitir é que, independente do que aconteça, podemos seguir com nossa verdadeira personalidade e com nossos sonhos. Eu sou uma sonhadora inconsequente desde sempre, e acho que o mundo seria melhor se as pessoas acreditassem mais em seus sonhos, fossem mais elas mesmas e, principalmente, tivessem mais sensibilidade. Com sensibilidade podemos aceitar mais os outros e também nos aceitar. Acho que, no fundo, o que todos queremos é um mundo melhor, e eu não sou exceção. Minha escrita e minha música são minhas formas de protesto e de esperança, a forma como eu sinto que posso ajudar a mudar o mundo, por mais clichê que isso seja.


✍Para terminarmos, vou-lhe pedir que fale da Iapsa. Não da mulher, não da escritora. Mas sim da menina. Quem foi a menina Iapsa? Peço-lhe que partilhe um pouco da sua infância com os nossos leitores!

Bom, a menina Iapsa tem uma história um tanto longa. Ela em algumas partes é dolorosa, mas, se tudo der certo, tem um final de esperança. Eu, como disse, sempre me senti diferente e estranha. Lembro que, quando criança, as outras meninas caçoavam de mi, e diziam que eu tinha voz de homem. Hoje considero minha voz uma das minhas maiores virtudes, mas nem sempre foi assim. Passei por muitas coisas difíceis, principalmente na adolescência, e minha música e minha escrita sempre foram a única coisa que me fez seguir em frente. É assim até hoje. Agora estou conseguindo fazer minhas coisas, vou publicar Master Freak e gravar mais uma música ano que vem, por isso acho que a história da menina Iapsa tem um final de esperança. Como vai ser a história da mulher Iapsa é o que eu vou descobrir daqui para frente.


✍Muito obrigada pela entrevista, Iapsa! Em nome do JEdLP, foi um prazer tê-la connosco! Desejo-lhe toda a sorte deste mundo!

Ah, eu que agradeço!



© 2016, Raquel C. Vicente e JEdLP

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